A pergunta do fim de semana é se a Ledger foi hackeada. A resposta, até agora, é não: o que apareceu foi um problema na cadeia de venda. Centenas de carteiras foram esvaziadas depois que os donos compraram o aparelho de um revendedor do Sudeste Asiático, o CryptoBilis. Analistas rastrearam mais de US$ 86 milhões em Bitcoin, Ethereum e USDT, e um único investidor perdeu 80 BTC. A Ledger confirmou que investiga o caso e mandou o revendedor parar de vender.

O que aconteceu
Na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, a Ledger publicou no X que investigava “relatos de perda de fundos de usuários no Sudeste Asiático” que compraram aparelhos do CryptoBilis. No mesmo aviso, disse ter pedido ao revendedor que pausasse todas as vendas e envios de produtos Ledger.
O CryptoBilis fica em Kuala Lumpur e aparece como revendedor autorizado da Ledger para Indonésia, Malásia e Filipinas. Ele também vende carteiras de outras marcas. Procurado pela imprensa, não respondeu.
Quanto foi roubado
Não existe número oficial. A Ledger não confirmou valor, quantidade de clientes nem a causa. As contas vêm de analistas que seguiram os endereços suspeitos na blockchain, e elas não cobrem necessariamente as mesmas transações.
| Fonte | Estimativa | Base |
|---|---|---|
| tanuki42 (analista) | Mais de US$ 72 milhões | 8 endereços suspeitos |
| Specter (analista) | Mais de US$ 86 milhões | Centenas de carteiras em Ethereum, Tron e Bitcoin |
| Levantamento posterior | US$ 92,9 milhões | 311 carteiras em cinco redes |
Segundo esses relatos, a Tether congelou cerca de US$ 10 milhões em USDT ligados ao caso, e parte do Ethereum roubado foi enviada a um misturador.
O caso dos 80 bitcoins
80 BTC
comprados há cerca de 4 meses
US$ 5,2 mi
valor pago na compra
1 semana
entre a compra do aparelho e o roubo
O caso foi apontado pela Lookonchain. O investidor teria comprado uma Ledger no revendedor, transferido os 80 BTC para ela e perdido tudo dias depois.
Como uma carteira de hardware pode ser adulterada
Uma carteira de hardware protege a chave contra ataques pela internet. Ela não protege contra alguém que mexeu no aparelho antes de ele chegar a você. Esse tipo de golpe se chama ataque à cadeia de suprimentos.
A Ledger confirmou que o aparelho de um usuário afetado tinha um implante de hardware não autorizado. O papel exato desse componente no roubo ainda está sob investigação.
Mark Karpelès, ex-CEO da Mt. Gox, afirma ter encontrado um módulo escondido dentro de uma Ledger Nano X comprada por um canal da Malásia, com a embalagem aparentemente intacta.
Relato do próprio Karpelès, ainda sem confirmação independente
A pesquisadora de segurança Taylor Monahan disse que não há sinal de falha desconhecida nos aparelhos da Ledger. Ela alertou para outro risco: o pânico leva gente a cair em anúncio falso, site clonado e aplicativo falso na hora de mover os fundos.
O que fazer se você tem uma Ledger
Comprou do CryptoBilis nos últimos 90 dias
A orientação da Ledger é não iniciar a configuração do aparelho.
Já configurou um aparelho desse revendedor
Mova os ativos para um aparelho novo, com uma frase de recuperação gerada do zero. Não reaproveite as 24 palavras antigas.
Comprou direto da Ledger
A empresa diz não ter recebido relato envolvendo aparelhos vendidos por ela. Nada indica que você precise fazer algo, além de desconfiar de qualquer mensagem pedindo sua frase de recuperação.
Como comprar e configurar uma carteira com segurança
- Compre do fabricante. Marketplace, revendedor desconhecido e aparelho usado aumentam o risco.
- A frase de recuperação nasce no seu aparelho. Se a carteira chegar com as palavras já impressas ou preenchidas, não use.
- Nunca digite as palavras em site, formulário ou aplicativo que pediu por mensagem. Nenhum suporte legítimo pede isso.
- Teste com valor pequeno. Envie pouco, espere alguns dias e só depois mova o restante.
- Baixe aplicativos pela loja oficial. Anúncio patrocinado em busca é um vetor conhecido de golpe.
A regra vale para qualquer carteira, de hardware ou de celular: a segurança depende de onde a chave foi criada e de quem teve acesso ao aparelho antes de você.
Perguntas Frequentes
A Ledger foi hackeada?
Segundo a empresa, não. A Ledger afirma que sua infraestrutura não foi comprometida e que os casos conhecidos envolvem aparelhos vendidos pelo revendedor CryptoBilis, no Sudeste Asiático.
Quanto foi roubado das carteiras Ledger?
Não há número oficial. Analistas independentes estimam entre US$ 72 milhões e US$ 92,9 milhões, em centenas de carteiras.
Quem comprou Ledger no Brasil precisa se preocupar?
A orientação da Ledger depende de onde o aparelho foi comprado. Ela se aplica a quem comprou do CryptoBilis nos últimos 90 dias. Não há relato sobre aparelhos comprados direto da fabricante.
Como saber se minha carteira de hardware foi adulterada?
Nem sempre dá para ver. No relato de Karpelès, a embalagem parecia intacta. Por isso o mais seguro é comprar do fabricante e gerar a frase de recuperação no próprio aparelho.
Fontes: comunicado da Ledger no X (09/10/2026), Protos, Tech Report, Cointelegraph, Whale Alert e Lookonchain. As estimativas de perda são de analistas independentes e não foram confirmadas pela Ledger.
Leia também: Coldcard: falha de RNG drenou 594 BTC em 25 minutos — o que fazer agora
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