Imagine ter 1 BTC parado na sua carteira e poder gastar até US$ 50 mil sem precisar vender uma fração sequer do seu Bitcoin. A startup americana Avens lançou um cartão de crédito lastreado em Bitcoin com taxa de juros anual de 7,99% ao ano — abaixo de qualquer cartão de crédito tradicional nos EUA (média 22%) e absurdamente abaixo dos cartões brasileiros (média 437,9% ao ano). A notícia foi publicada pela Forbes em 28 de abril de 2026.

Cartão de crédito Bitcoin — Avens lança produto com taxa de 7,99% ao ano

Resumo rápido: Avens lançou cartão de crédito lastreado em Bitcoin com juros de 7,99% ao ano (vs. 22% média EUA, 437% média Brasil). Você deposita BTC como colateral, recebe um limite em USD e usa em qualquer estabelecimento. Não precisa vender BTC e não paga imposto de ganho de capital. Ainda só nos EUA, mas modelo deve chegar ao Brasil em 2026/2027.

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Como funciona o cartão de crédito lastreado em Bitcoin

O conceito é simples e poderoso. Em vez de você vender o Bitcoin para gastar (e pagar imposto de ganho de capital + perder upside futuro), você usa o BTC como garantia e recebe crédito em dólar.

Passo Ação Detalhe
1 Deposita BTC na Avens BTC fica em custódia regulada (multisig + cold storage)
2 Recebe limite em USD Geralmente 50% do valor depositado (LTV 50%)
3 Gasta o limite normalmente Cartão Visa/Mastercard, qualquer estabelecimento
4 Paga a fatura ou amortiza Juros de 7,99% a.a. sobre saldo devedor
5 BTC fica como colateral Continua valorizando enquanto você usa o crédito

Por que 7,99% é uma taxa imbatível

Taxa de juros — Avens vs. mercado

7,99%

Avens (BTC colateral)

22,1%

Cartão padrão EUA

437%

Cartão rotativo Brasil

~10%

Crédito imobiliário Brasil

A taxa só é viável porque o cartão é colateralizado: o risco de inadimplência é praticamente zero (a Avens tem o BTC para liquidar). Cartões de crédito tradicionais cobram juros altos justamente porque são crédito não garantido — quando o cliente não paga, o banco arca com o prejuízo, e isso é repassado para todos os clientes via taxa.

Vantagem #1: você não vende seu Bitcoin

Esse é o ponto mais importante. Na maior parte dos países, vender Bitcoin gera imposto de ganho de capital:

  • EUA: 15-20% de capital gains tax sobre lucros de longo prazo
  • Brasil: 15% sobre ganho de capital + DARF mensal acima de R$ 35 mil/mês vendidos
  • Portugal: 28% sobre cripto vendido em menos de 365 dias

Quando você usa o BTC como colateral em vez de vender, não há fato gerador de imposto. Você usa o capital sem realizar lucro. Em mercados de alta, isso significa que seu BTC continua valorizando enquanto você consome o limite — efetivamente, você está pegando um empréstimo barato lastreado em um ativo que se valoriza.

Vantagem #2: continua exposto ao upside do Bitcoin

Exemplo prático com BTC a US$ 76 mil

Você deposita 1 BTC (US$ 76.000) na Avens. Recebe limite de US$ 38.000 (LTV 50%). Gasta US$ 20.000 ao longo de um ano. Paga 7,99% de juros = US$ 1.598. Total a quitar: US$ 21.598.

Se o Bitcoin subir para US$ 120.000 nesse período, seu colateral passou a valer US$ 120 mil — você lucrou US$ 44 mil só pela valorização do BTC, enquanto pagou US$ 1.598 em juros. Lucro líquido: US$ 42.402.

Se o Bitcoin cair para US$ 40.000, sua posição entra em margin call (LTV passou para >75%) e você precisa depositar mais BTC ou pagar parte do empréstimo, sob risco de liquidação parcial do colateral.

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Riscos: o que pode dar errado

1. Margin call em queda forte

Se o BTC cair muito (-30% a -40%), o sistema chama margem. Você precisa depositar mais BTC ou pagar parte do empréstimo. Se não fizer nada, a Avens liquida parte do colateral.

2. Risco de custódia

Seu BTC fica com a Avens. Se a empresa quebrar (vide Celsius, BlockFi, FTX), há risco de perder o colateral. A Avens diz usar custódia regulada e multisig, mas o risco existe.

3. Risco regulatório

Reguladores americanos (SEC, OCC) ainda olham com lupa para produtos cripto-colateralizados. Mudança de regra pode afetar o produto.

4. Variação cambial

Para brasileiros, gastar em USD significa exposição ao dólar. Em momentos de alta do dólar (como agora, R$ 4,96), o limite “vale mais” em reais — bom para gastar, ruim se for converter de volta.

Quando chega ao Brasil?

Por enquanto, o cartão Avens está disponível apenas para residentes nos EUA com SSN. No Brasil, produtos similares ainda engatinham:

  • BitWarrant (BTC backed loans): empréstimo em reais lastreado em BTC, mas sem cartão
  • Mercado Bitcoin / Foxbit: em estudo, mas sem produto lançado
  • Nubank Cripto + cartão: permite trade, mas não usa cripto como colateral de cartão

A expectativa do mercado é que uma fintech brasileira lance um produto similar até final de 2026 ou início de 2027, possivelmente com taxa entre 12-15% ao ano (mais alta que a americana por conta da Selic em 14,50% e custo de capital mais elevado no Brasil).

“O cartão lastreado em Bitcoin é o produto financeiro mais subestimado do ciclo. Em 5 anos, vai ser o normal — assim como hoje é normal usar débito automático para pagar contas.”

— Análise Forbes, abril 2026

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Perguntas frequentes

Brasileiro pode usar o cartão Avens?

Não. Atualmente, o cartão Avens exige residência nos EUA e SSN (Social Security Number). Brasileiros precisam aguardar produtos nacionais ou usar mesas OTC com lastro em USDT/BTC para necessidades similares.

O que acontece se o Bitcoin cair muito?

Se o BTC cair a ponto do LTV (loan-to-value) ultrapassar 75%, você recebe margin call. Se não depositar mais BTC ou pagar parte do empréstimo, a Avens liquida automaticamente parte do colateral.

Vou pagar imposto ao usar o cartão Avens?

Em geral, usar BTC como colateral não é considerado venda e não gera fato gerador de imposto. Mas consulte um contador especializado em cripto para a sua jurisdição específica.

Por que 7,99% é tão menor que cartão tradicional?

Porque o cartão é totalmente colateralizado pelo BTC. O risco de inadimplência é zero — se você não pagar, a Avens vende o BTC. Isso elimina o “prêmio de risco” que cartões tradicionais cobram.

Existe alternativa no Brasil?

Hoje, o mais próximo é usar BTC ou USDT em mesas OTC para gerar liquidez em reais via PIX. A BitcoinP2P, por exemplo, permite trocar BTC/USDT por reais com PIX instantâneo e KYC validado, mantendo seu portfólio cripto sem precisar passar por cartão.

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