Em 29 de abril de 2026, o Senado Federal escreveu o capítulo mais ruidoso da política brasileira recente: por 42 votos a 34, rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Foi a primeira derrota de um indicado ao STF em 132 anos. A votação no plenário foi secreta — então tecnicamente não há lista oficial mostrando como cada senador votou. Mas isso não impede que conheçamos os nomes: 14 senadores haviam declarado publicamente, semanas antes, que votariam contra; vários outros confirmaram a posição depois da derrota; e três blocos partidários (PL, Novo e ala oposicionista do Republicanos/União/PP) celebraram abertamente o resultado como “vitória da oposição”. Esta é a lista completa dos senadores que se declararam contra a indicação de Lula — com partido, idade, estado e biografia de cada um.

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Como funcionou a votação no Senado
Antes de entrar na lista, é importante entender como o sistema funciona. A votação de indicações ao STF segue o seguinte rito:
| Etapa | Tipo de voto | Resultado da indicação Messias |
|---|---|---|
| Sabatina na CCJ | Aberta e nominal (cada senador é identificado) | Aprovada por 16 a 11 |
| Votação no plenário | Secreta (cédula fechada, sem identificação) | Rejeitada por 42 a 34 |
| Quórum mínimo | Maioria absoluta (41 votos) | Não atingido (faltaram 7 votos) |
É justamente porque a votação no plenário é secreta que o nome de quem votou contra não pode ser divulgado oficialmente. O que sabemos vem de declarações públicas, articulação partidária e reações pós-votação.
Mapa político da votação Messias x STF
25
Declararam SIM (Poder360, mar/26)
14
Declararam NÃO (mar/26)
39
Não declararam voto
42
Votos contra no plenário
Os 42 votos contra Messias: 17 declarados + 25 anônimos
Decomposição dos 42 votos contrários
42
Total de votos contra (oficial)
17
Declararam publicamente (com foto abaixo)
25
Votaram em segredo (sem identificação)
≥41
Mínimo para aprovar — não atingido
De onde vieram os 25 votos anônimos?
Embora seja impossível nomear oficialmente esses 25 senadores, jornalistas políticos do Estadão, Folha, UOL e G1 mapearam os blocos partidários que aderiram à rejeição além dos 17 declarados. A composição é a seguinte:
| Bloco partidário | Votos contra estimados (anônimos) | Por quê |
|---|---|---|
| PSD (ala Pacheco) | 5-7 senadores | Rodrigo Pacheco preferia indicação interna; orientou base contra Messias |
| União Brasil (ala Alcolumbre) | 4-6 senadores | Presidente do Senado articulou silenciosamente pela derrota |
| MDB (oposição interna) | 3-5 senadores | Bancada dividida; ala oposicionista aderiu |
| Progressistas (PP) | 3-4 senadores | Centrão alinhou-se ao bloco PL após pressão |
| Republicanos (não-declarados) | 2-3 senadores | Bancada conservadora além dos 3 declarados |
| PSDB / Cidadania / Podemos | 2-3 senadores | Independentes que aderiram sem se posicionar |
| Total estimado: ~25 votos anônimos + 17 declarados = 42 votos contra (resultado oficial) | ||
Vale lembrar: Davi Alcolumbre (União-AP), Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Jorge Kajuru (PSB-GO) nunca declararam voto, mas a imprensa os identifica como articuladores da derrota nos bastidores. Microfones do plenário captaram Alcolumbre prevendo, segundos antes do resultado: “Vai perder por 8”. Errou por apenas 2 votos. Esse vídeo é a evidência mais forte de que a articulação contra Messias passava pela mesa diretora do Senado.
Lista dos 17 senadores que assumiram voto contra
Os senadores abaixo se manifestaram publicamente — em entrevistas, redes sociais, declarações em plenário, falas a colunistas ou notas de bancada — que seu voto seria contrário à indicação de Lula. Os dados são compilados de Poder360, G1, Folha, UOL e Senado Notícias.
Flávio Bolsonaro
Filho mais velho de Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência em 2026. Foi um dos principais articuladores informais da rejeição. Após a derrota declarou: “Pela primeira vez vi algo acontecer de forma espontânea. Não houve articulação”.
Carlos Portinho
Líder do PL no Senado. Coordenou a contagem de votos pela oposição. Após o resultado disse: “Trabalhamos ‘de sapatinho’, conquistando voto a voto. Tinha o placar em planilha à mão e errei o final por apenas 2 votos”.
Rogério Marinho
Líder da oposição no Senado. Ex-ministro do Desenvolvimento Regional do governo Bolsonaro. Após a rejeição declarou: “O Senado deu uma demonstração de que é um organismo livre. A sociedade brasileira precisa”.
Magno Malta
Pastor evangélico, em sexto mandato no Senado. Voz constante da bancada evangélica. Declarou voto contra Messias citando “preocupação com pautas de costumes” no STF.
Marcos Pontes
Astronauta da Aeronáutica, primeiro brasileiro no espaço (2006). Ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro. Voto contra alinhado à orientação da bancada.
Jorge Seif
Ex-secretário de Pesca e Aquicultura no governo Bolsonaro. Votou contra alinhado ao bloco oposicionista do PL.
Wilder Morais
Empresário do setor de construção. Senador eleito em 2022. Posicionamento alinhado ao PL nacional.
Damares Alves
Ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos no governo Bolsonaro. Pastora e advogada. Declarou voto contra citando posições de Messias em pautas evangélicas.
Hamilton Mourão
General de Exército na reserva, ex-vice-presidente da República (2019-2022). Considerado moderado dentro da oposição, declarou voto contra após sabatina.
Cleitinho
Ex-radialista popular em Minas, conhecido por embates verbais no plenário. Foi uma das vozes mais ruidosas contra a indicação de Messias.
Sergio Moro
Ex-juiz federal da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Voto contra Messias coerente com sua trajetória de oposição ao PT.
Eduardo Girão
Empresário e único senador do partido Novo. Posicionamento liberal-conservador, voto contra alinhado ao perfil ideológico do partido.
Soraya Thronicke
Advogada, foi candidata à Presidência em 2022. Centro-direita independente. Declarou voto contra citando “desequilíbrio de forças” no STF caso a indicação fosse aprovada.
Plínio Valério
Jornalista, ex-radialista no Amazonas. Conservador na ala do PSDB. Voto contra Messias declarado em entrevistas regionais.
Esperidião Amin
Ex-governador de Santa Catarina (1983-1987 e 1999-2003). Veterano da política catarinense. Posicionou-se contra Messias citando “alinhamento excessivo ao Executivo”.
Marcio Bittar
Empresário e político da região Norte. Ex-relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Declarou voto contra alinhado à oposição.
Ciro Nogueira
Presidente nacional do PP. Ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro. Posicionamento ambíguo durante a sabatina; após a derrota, parte do Centrão alinhou-se ao PL.
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Distribuição por partido e estado
| Partido | Senadores declarados contra | Estados |
|---|---|---|
| PL | 7+ (Flávio, Portinho, Marinho, Magno Malta, Pontes, Seif, Wilder) | RJ, RN, ES, SP, SC, GO |
| Republicanos | 3 (Damares, Mourão, Cleitinho) | DF, RS, MG |
| União Brasil | 2 (Sergio Moro, Marcio Bittar) | PR, AC |
| Novo | 1 (Eduardo Girão) | CE |
| Progressistas (PP) | 2 (Esperidião Amin, Ciro Nogueira) | SC, PI |
| Podemos | 1 (Soraya Thronicke) | MS |
| PSDB | 1 (Plínio Valério) | AM |
| Total declarado: 17+ senadores. Os outros 25 votos contrários no plenário (até atingir 42) vieram de senadores que não declararam publicamente sua posição antes da votação secreta. | ||
O que disseram após a rejeição
“Pela primeira vez, vi algo acontecer de forma espontânea. Não houve articulação, ao menos da minha parte; não trabalhei pedindo votos contrários.”
— Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência
“Trabalhamos ‘de sapatinho’, como se diz nos bastidores, conquistando voto a voto. Eu tinha o placar em uma planilha feita à mão e errei o resultado final por apenas 2 votos, devido ao quórum.”
— Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado
“Messias não era alguém que pudesse pacificar. Era um militante dentro do Supremo Tribunal Federal. O Senado deu uma demonstração de que é um organismo livre.”
— Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição
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Os 3 senadores que NÃO responderam à pesquisa
O Poder360 procurou os 81 senadores em março de 2026. Três não responderam — e são justamente nomes que moldaram a decisão final:
Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — Presidente do Senado
Conduziu a sessão sem se posicionar publicamente, mas a imprensa registrou sua articulação por bastidores. Microfones captaram Alcolumbre prevendo, pouco antes do resultado, que “vai perder por 8 votos” — errou por apenas 2. Após a rejeição, manteve postura institucional. Colunistas (Natuza Nery, Andréia Sadi) afirmaram que Alcolumbre articulou diretamente pela derrota.
Rodrigo Pacheco (PSD-MG) — Ex-presidente do Senado
Adversário interno de Messias, era o nome preferido pelo Senado para o STF. Manteve silêncio público, mas é descrito como tendo orientado parte do PSD a votar contra a indicação. Conhecido por sua relação tensa com o Executivo após o fim de seu mandato como presidente do Senado.
Jorge Kajuru (PSB-GO)
Senador independente, conhecido por mudanças frequentes de posição. Não respondeu à pesquisa do Poder360 e manteve silêncio antes da votação. Após a derrota, defendeu reforma na escolha de ministros do STF.
Por que a votação foi secreta?
O Regimento Interno do Senado prevê votação secreta para escolhas em geral de magistrados, ministros do TCU, embaixadores e dirigentes de agências reguladoras (art. 383, IV). A regra existe para proteger o senador de pressões políticas e patrocinar voto de consciência. O efeito colateral é exatamente o que vimos: impossibilidade legal de saber, oficialmente, quem votou de qual forma.
Há projetos de lei em tramitação no Congresso (PEC 60/2017, PEC 24/2019) que propõem tornar a votação aberta e nominal, alinhando o sistema brasileiro ao americano (onde o voto de cada senador é público).
O que a rejeição significa politicamente
Para Lula
Maior derrota do terceiro mandato. O governo precisa renegociar com o Centrão, formalizar nova indicação em até 60 dias e arcar com o custo político em ano eleitoral. Mostra que a base aliada no Senado está fragilizada.
Para a oposição
Renasce como bloco articulado. Flávio Bolsonaro, Portinho e Marinho saem fortalecidos como nomes presidenciáveis ou de liderança. PL volta ao centro do tabuleiro político.
Para o STF
Tribunal opera com 10 ministros até nova indicação. Casos de grande repercussão podem ter empates 5×5 e remarcações. Pressão por reforma na forma de escolha de ministros aumenta.
Para o mercado financeiro
Aumenta a percepção de risco fiscal e político. Bitcoin caiu para US$ 76 mil, dólar foi a R$ 4,96 e ETFs de Bitcoin tiveram saída de US$ 263 milhões nos EUA. Brasileiros aceleraram compra de USDT como hedge.
Perguntas frequentes
É possível saber oficialmente quem votou contra Messias?
Não. A votação foi secreta, conforme regimento do Senado. A lista deste artigo reúne senadores que declararam publicamente seu posicionamento antes ou depois da votação — não há lista oficial dos 42 votos contrários.
Quantos senadores declararam voto contrário publicamente?
Pelo menos 17, distribuídos entre PL, Republicanos, União Brasil, Novo, Progressistas, Podemos e PSDB. Os outros 25 votos contrários (até atingir 42) vieram de senadores que não declararam posição antes da votação.
Por que a votação foi secreta?
O Regimento Interno do Senado, no art. 383, prevê voto secreto para escolha de autoridades como ministros de tribunais. A regra existe para proteger o senador de pressão política, mas é alvo de críticas por reduzir transparência.
Quem foram os principais articuladores?
Carlos Portinho (líder PL), Rogério Marinho (líder oposição) e Flávio Bolsonaro foram os nomes mais visíveis. Davi Alcolumbre (presidente do Senado) é apontado pela imprensa como articulador silencioso.
O que acontece agora?
Lula precisa indicar outro nome para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso em até 60 dias. Os nomes mais cotados são Bruno Dantas (TCU), Vera Lúcia (TSE) e Manoel Carlos de Almeida Neto.
Qual o impacto no Bitcoin e no dólar?
A rejeição aumentou a percepção de risco político-fiscal. No mesmo dia, o Bitcoin caiu para US$ 76 mil e o dólar atingiu R$ 4,96. Investidores brasileiros aceleraram compra de USDT em mesas OTC como hedge cambial.
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Leia também: Senado Rejeita Messias para o STF — Derrota Histórica de Lula em 132 Anos
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