A imagem da semana é simbólica: a Haribo, dona das famosas balas de ursinho, fechou sua única fábrica fora da Europa — em Bauru (SP) — e encerra a produção no Brasil em julho de 2026. Na mesma janela, a centenária Estrela entrou com pedido de recuperação judicial e o Grupo Dass, que fabrica tênis para gigantes como Nike e Adidas, anunciou US$ 40 milhões em uma nova fábrica no Paraguai. Não é coincidência. É tendência.

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A nova leva: quem está saindo do Brasil em 2026
O noticiário de maio de 2026 concentrou três anúncios que viraram assunto nacional. Vale entender o que de fato aconteceu em cada caso — porque o boato corre mais rápido que o fato:
| Empresa | O que aconteceu | Destino / Status |
|---|---|---|
| Haribo | Fecha a fábrica de Bauru (SP), inaugurada em 2016 — sua 1ª fora da Europa. ~150 empregos afetados. | Encerra produção Mantém venda via importação |
| Estrela | Pediu recuperação judicial em 20/05/2026 (comarca de Três Pontas, MG) para reestruturar dívidas. | Recuperação judicial Segue operando |
| Grupo Dass (Nike/Adidas) | US$ 40 mi em fábrica de vestuário no Paraguai com a Texcin. 600 empregos lá fora. | Expande no Paraguai Diz que mantém BR |
⚠️ Mito x Fato: a Nike “saiu do Brasil”?
Não exatamente. A Nike, como marca, não fechou no Brasil — a Fisia, que opera a Nike por aqui, teve faturamento bruto de R$ 5,1 bilhões e cresceu 60% em três anos. O que ocorreu foi o Grupo Dass (fabricante terceirizado de calçados e roupas para Nike, Adidas e outras) abrir uma planta de vestuário no Paraguai. A própria Dass afirma que não vai trocar Brasil e Argentina pelo país vizinho. Mas o gesto é eloquente: produzir lá custa menos.
Governo Bolsonaro x Governo Lula: a fuga não é nova
É honesto reconhecer: a debandada de multinacionais não nasceu em 2023. Entre 2020 e 2021, em pleno governo Bolsonaro, o Brasil viveu uma das maiores ondas de saída de fábricas da história recente. A diferença entre os dois ciclos está mais no destino e na motivação do que no fenômeno em si.
| Período | Empresas que saíram / fecharam fábrica | Padrão |
|---|---|---|
| Governo Bolsonaro (2019–2022) | Ford (fecha 3 fábricas, 2021), Mercedes-Benz (carros), Sony, Audi, Walmart, Roche, Eli Lilly, Ford Caminhões | Saída do país / fim de linhas de produção (pandemia + mercado) |
| Governo Lula (2023–2026) | Haribo (fábrica), Kiabi, Forever 21, Haribo, + 200 indústrias para o Paraguai (têxtil, plástico, autopeças) | Migração para o vizinho atrás de carga tributária menor |
“Enquanto impostos e encargos trabalhistas no Brasil chegam, em média, a 80% sobre a produção, no Paraguai ficam em 12%. O custo de um funcionário com carteira é 40% menor.”
— Análise sobre o investimento do Grupo Dass
Os números de fundo assustam de qualquer governo: em 2024, o Brasil registrou o fechamento de mais de 854 mil empresas e os pedidos de recuperação judicial saltaram 61,8% ante 2023 — o maior nível em 10 anos. Só no 1º trimestre de 2025, 471 companhias recorreram à Justiça para escapar da falência.
Para onde as empresas estão indo? Os países mais beneficiados
Quando uma indústria arruma as malas, três destinos se repetem nos relatos. O Paraguai lidera com folga, seguido pelos Estados Unidos (com a Flórida como porta de entrada) e pelo Uruguai. Veja a força relativa de cada destino, segundo o volume de mudanças noticiadas:
🌎 Destinos preferidos da fuga industrial
Força relativa estimada a partir do volume de mudanças noticiadas (Band, Gazeta do Povo, Poder360, GazetaNews). Não é dado oficial — IBGE e BC não consolidam o fluxo.
| Destino | Atrativo principal | Quem foi |
|---|---|---|
| 🇵🇾 Paraguai | Lei de Maquila: 1% sobre exportação, energia barata, mão de obra ~40% mais barata | Lupo, Grupo Dass, +200 indústrias têxteis/plástico/autopeças |
| 🇺🇸 Estados Unidos | Mercado robusto, segurança jurídica, acesso a capital | Inter&Co (Miami), CI&T |
| 🇺🇾 Uruguai | Estabilidade, zonas francas, regime fiscal previsível | Holdings e empresas de serviços |
Por que o Paraguai? A Lei de Maquila explicada
O grande imã chama-se Lei de Maquila. Regulamentada nos anos 2000, ela permite importar máquinas e insumos com isenção total de impostos, cobrando apenas 1% sobre o valor do produto destinado à exportação. Some a isso energia barata (o Paraguai é sócio de Itaipu) e encargos trabalhistas baixos, e a conta fecha. Em 2025, as exportações sob o regime de maquila bateram recorde histórico de US$ 1,309 bilhão.
Brasil x Paraguai: o tamanho da diferença
~80%
Carga sobre produção no Brasil
~12%
Carga sobre produção no Paraguai
1%
Imposto Maquila sobre exportação
-40%
Custo de mão de obra
Esse é o tal “Custo Brasil”: a soma de tributação complexa, insegurança jurídica, burocracia e juros altos que torna produzir aqui mais caro do que do outro lado da Ponte da Amizade. Para uma indústria de margem apertada, 28% a 40% de economia operacional não é detalhe — é a diferença entre sobreviver e fechar.
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O que isso tem a ver com Bitcoin?
Empresas fogem do Brasil pelo mesmo motivo que pessoas físicas buscam o Bitcoin: proteger valor de um ambiente que corrói capital. Quando a carga tributária, a inflação e a insegurança jurídica apertam, todo agente econômico procura uma “jurisdição” mais amigável. A indústria atravessa a fronteira física; o investidor atravessa a fronteira monetária.
O Bitcoin é, na prática, um capital sem passaporte: não depende de Lei de Maquila, de zona franca ou de regime tributário de país nenhum. É uma reserva de valor que você carrega na palavra-passe, imune a confisco e a fronteiras. Enquanto a Haribo move fábrica e o Grupo Dass move linha de produção, milhões de brasileiros movem patrimônio para um ativo que ninguém consegue fechar.
“Você não precisa de um galpão no Paraguai para escapar do Custo Brasil. Bastam alguns satoshis e uma carteira.”
— Equipe BitcoinP2P
Perguntas Frequentes
A Nike saiu do Brasil?
Não. A Nike segue operando no país via Fisia, que faturou R$ 5,1 bilhões e cresceu 60% em três anos. O que aconteceu foi o Grupo Dass, fabricante terceirizado, abrir uma fábrica de vestuário no Paraguai. A própria Dass diz que mantém suas unidades no Brasil.
Por que a Haribo fechou a fábrica no Brasil?
A Haribo encerra a produção na fábrica de Bauru (SP) em julho de 2026, citando o cenário de custos. A unidade era a primeira fora da Europa, inaugurada em 2016. A marca afirma que continuará vendendo no Brasil via importação.
Quantas empresas brasileiras já foram para o Paraguai?
Mais de 200 indústrias migraram sob a Lei de Maquila, segundo a Band e a Gazeta do Povo. Relatórios da Federação Mercosul de Câmaras de Comércio falam em mais de 800 empresas brasileiras operando lá em diferentes modalidades.
É culpa do governo Lula ou de Bolsonaro?
O fenômeno atravessa governos. Entre 2020 e 2021, sob Bolsonaro, saíram Ford, Mercedes (carros), Sony, Audi e Walmart. Sob Lula (2023–2026), a marca é a migração para o Paraguai. A raiz comum é o “Custo Brasil”: tributação alta, burocracia e insegurança jurídica.
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