O Telegram entrou com pedido oficial na ICANN — a entidade que governa os domínios da internet — para criar a zona de domínio .gram. Se aprovado, o plano anunciado por Pavel Durov transforma os nomes de usuário do aplicativo em endereços pessoais na web: quem é @fulano no Telegram poderia ter o site fulano.gram, hospedado pelo próprio mensageiro e, segundo a proposta, com páginas que podem ser geradas a partir de um único prompt de inteligência artificial. Com mais de 1 bilhão de usuários, é uma das maiores apostas já feitas por uma big tech no sistema de domínios — e ela tem tudo a ver com a blockchain TON.

O que o Telegram pediu exatamente
O pedido foi protocolado na rodada de novos gTLDs (domínios genéricos de topo) da ICANN, a primeira aberta desde 2012. O nome escolhido não é acaso: “gram” é a marca histórica do Telegram no mundo cripto — era o nome do token original da rede TON em 2018, e hoje batiza informalmente a rede TON no ecossistema. Na proposta divulgada por Durov:
- Usuários poderiam converter o username atual em um endereço web (yourname.gram);
- As páginas seriam hospedadas pelo próprio Telegram, sem precisar de servidor ou registrador terceiro;
- O conteúdo poderia ser gerado por IA a partir de um único prompt — descreva o site e ele nasce pronto;
- A base endereçável é gigante: mais de 1 bilhão de usuários ativos.
A ponte com a blockchain TON
O Telegram já vende usernames como ativos digitais no marketplace Fragment, registrados na blockchain TON — a rede que a comunidade herda do projeto original do Telegram e onde o USDT circula de forma nativa. Um domínio .gram oficial na internet “tradicional” criaria a ponte definitiva: o mesmo nome que você usa no app e que pode ser tokenizado na TON viraria também seu endereço público na web. Para o ecossistema TON, que já tem carteira integrada ao aplicativo e pagamentos em stablecoin, é mais um degrau na estratégia de transformar o Telegram em um “super app” no estilo WeChat — só que com blockchain aberta por baixo.
| Como é hoje | Como fica com o .gram |
|---|---|
| Username só existe dentro do app (t.me/fulano) | Username vira site público (fulano.gram) |
| Site pessoal exige domínio, hospedagem e construtor | Telegram hospeda; página nasce de um prompt de IA |
| Usernames tokenizados na TON valem dentro do ecossistema | Ativo digital passa a ter presença na web aberta |
| Identidade fragmentada entre redes | Um nome único: chat, pagamento e site |
O que pode dar errado (e o que observar)
O processo da ICANN é longo e caro: a avaliação de novos gTLDs costuma levar anos, envolve objeções de terceiros e não tem aprovação garantida. Marcas podem contestar o uso de “gram” (há precedentes de disputas por nomes genéricos), e a hospedagem centralizada pelo Telegram levanta a mesma questão de sempre: o site é seu ou é do app? Quem mora num domínio controlado por uma única empresa está sujeito às regras — e às quedas — dela. Ainda assim, o simples pedido já sinaliza a direção: identidade digital unificada, com o mensageiro como porta de entrada da web para 1 bilhão de pessoas.
Por que isso importa para quem usa cripto
O Telegram é hoje a maior porta de entrada de usuários comuns para o mundo cripto — a carteira TON embutida no app já expôs milhões de pessoas a USDT sem que elas percebessem que estavam usando blockchain. Um domínio .gram aprofunda essa fusão entre identidade, pagamento e presença online. Se o plano der certo, o “site + carteira + chat” com um único nome vira o padrão — e a rede gram(TON) fica no centro disso.
Perguntas Frequentes
O que é o domínio .gram do Telegram?
É uma zona de domínio de topo (gTLD) que o Telegram pediu à ICANN. Se aprovada, permitirá que usernames do aplicativo virem sites pessoais no formato yourname.gram, hospedados pelo próprio Telegram.
Quando o .gram entra no ar?
Não há data. O processo de avaliação da ICANN para novos gTLDs costuma levar anos e envolve etapas de objeção pública — o pedido foi protocolado, mas a aprovação não é garantida.
O que o .gram tem a ver com a blockchain TON?
“Gram” era o nome do token original da rede TON, e o Telegram já vende usernames tokenizados nessa blockchain via Fragment. O domínio .gram uniria o nome usado no app (e tokenizado na TON) a um endereço público na web — o mesmo ecossistema onde o USDT já circula de forma nativa.
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