Se você tem um domínio .sol, ele vai mudar de nome. O SNS (Solana Name Service) começou a migrar todos os domínios da rede para o sufixo .sns — e, em troca, está entregando a cada titular um .sol novo, de graça, rodando num programa criado do zero. O corte de elegibilidade já passou: o snapshot foi em 17 de agosto de 2026, mesmo dia em que os registros de novos domínios foram pausados.

.sol para .sns. Um .sol novo chega sozinho, sem clique, sem taxa e sem assinatura, entre setembro e outubro. Não existe página de claim. Qualquer site pedindo pra conectar carteira, verificar ou pagar para “migrar seu domínio” é golpe.
O que acontece com o domínio que você já tem
Nada sai do lugar. O domínio que está na sua carteira continua exatamente onde está, com o mesmo dono, os mesmos registros, a mesma configuração de domínio primário, os mesmos subdomínios e os mesmos sub-registrars. A única coisa que muda é o sufixo exibido — e ele muda aos poucos, conforme cada carteira e cada aplicativo atualizam a integração com o SNS.
Solflare, Jupiter Mobile e Birdeye estão entre os primeiros a confirmar suporte. Até todos migrarem, é normal ver o mesmo nome aparecer como fulano.sol num app e fulano.sns em outro. Não é bug e não é dois domínios diferentes: é o mesmo registro, com o rótulo em transição.
Em paralelo, um fulano.sol novinho é entregue automaticamente ao titular. Sem custo, sem página de reivindicação, sem assinatura e sem taxa. Mas atenção a um detalhe que muita gente vai errar: esse .sol novo chega “cru”. No momento da entrega ele não resolve e não suporta registros, configuração de domínio primário nem subdomínios. Essas funções chegam depois, na ativação progressiva.
| O quê | .sns (o seu de sempre) | .sol novo (o de graça) |
|---|---|---|
| Dono | O mesmo | O mesmo |
| Registros e domínio primário | Funcionam | Só depois |
| Subdomínios | Funcionam | Não vêm |
| Resolve endereço | Sim | Só depois |
| Programa on-chain | SPL Name Service | Solana Record Service (SRS) |
Por que fazer essa troca toda
A resposta curta é técnica e a longa é ambiciosa.
A técnica: o registro atual do SNS roda em cima do SPL Name Service, um programa público e compartilhado, usado por muito mais gente do que só o SNS. Justamente por ser compartilhado, o SNS não podia modificá-lo para caber no que precisava. A saída foi escrever um programa novo do zero, feito exclusivamente para nomes de domínio: o Solana Record Service (SRS). É nele que os novos .sol vivem.
A ambiciosa: o objetivo final é levar o .sol à ICANN como domínio de topo genérico — um gTLD de verdade, do mesmo tipo que .com, .app ou .xyz. Ou seja: um endereço que funciona no navegador de qualquer pessoa, e não apenas dentro de carteiras cripto. A ICANN abriu em 2026 uma nova rodada de candidaturas a extensões, a primeira em mais de uma década. O próprio SNS avisa que esse caminho “leva anos, não meses” — a migração de agora é a preparação de infraestrutura, não a chegada.
“Não há processo de reivindicação. Nenhuma conexão de carteira, assinatura ou taxa.”
— SNS, no comunicado oficial da migração
O cronograma
| Quando | O que acontece |
|---|---|
| 17/08/2026 | Registros de novos domínios pausados e snapshot on-chain tirado. Quem estava com o domínio nesse momento define o destino do .sol novo. |
| Set–out/2026 | Entrega automática dos .sol novos às carteiras elegíveis. Registros de domínios voltam em meados de setembro. |
| Out/2026 – jan/2027 | Ativação progressiva: os .sol novos passam a resolver, aceitar registros e transacionar. |
Para onde vai o seu .sol novo
A entrega segue uma ordem fixa, definida pelo snapshot de 17 de agosto. Essa parte importa muito para quem tinha domínio listado à venda ou tokenizado:
- Domínio listado à venda → vai para a carteira do vendedor, e não para o escrow do marketplace
- Domínio guardado num sub-registrar → vai para o dono do sub-registrar
- Domínio tokenizado → vai para quem estava com o NFT na hora do snapshot
- Todo o resto → vai para o titular do domínio
Dois detalhes finais: subdomínios herdam o novo sufixo .sns do domínio pai, mas não ganham um .sol próprio. E domínios com caracteres não latinos ou emoji valem igual a qualquer outro — não há exclusão.
O golpe que vem aí — leia esta parte com atenção
Toda migração automática de ativo cripto vira, em questão de dias, uma safra de golpes. O roteiro é sempre o mesmo: o golpista sabe que existe um evento real, sabe que o público está esperando algo chegar, e monta a página falsa antes da entrega oficial. Foi assim no airdrop falso da SpaceX, no golpe de staking do XRP e nas extensões falsas de carteira — e vai ser assim aqui.
O que o SNS avisou, com todas as letras: não existe página de claim. Não existe verificação. Não existe conexão de carteira. Não existe taxa. Não existe assinatura. O domínio novo simplesmente aparece.
Regra única para sobreviver a esta migração
Se alguém te pedir para reivindicar, verificar, conectar carteira ou pagar qualquer coisa para receber seu domínio, é golpe. Sem exceção.
O único endereço oficial para acompanhar o andamento é migration.sns.id. Digite na mão. Não clique em link de DM, de comentário, de anúncio patrocinado nem de post “urgente” no X.
Um agravante específico deste caso: como a mudança de sufixo acontece gradualmente, conforme cada app atualiza, vai existir um período em que ver o nome “errado” é normal. Golpista adora ambiguidade — a mensagem “seu domínio está com problema na migração, resolva aqui” vai funcionar com muita gente justamente porque a inconsistência visual é real. Não é problema. É a transição.
Se você desenvolve em cima do SNS
Quem tem integração precisa atualizar o SDK e limpar o sufixo cravado no código:
- SNS SDK v4 (JavaScript)
- v1 (JS Kit)
- v2 (Rust)
- Trocar qualquer
.solhardcoded no código de exibição do frontend por.sns
O que isso diz sobre domínios on-chain em geral
Vale reparar no movimento maior. Na semana passada, o Telegram levou os domínios .gram para outro patamar; agora o SNS reescreve a própria base para tentar a porta da ICANN. A tese é a mesma nos dois casos: nome legível vale mais fora do nicho do que dentro dele. Um domínio que só resolve endereço de carteira é um atalho bonitinho. Um domínio que abre no navegador de qualquer pessoa é infraestrutura.
A migração do SNS é o preço de entrada nessa segunda categoria. E, como o próprio projeto reconhece, o processo na ICANN se mede em anos.
Leia também: Telegram e os domínios .gram
Perguntas Frequentes
Preciso fazer alguma coisa para migrar meu domínio .sol?
Não. Absolutamente nada. O sufixo muda sozinho conforme os aplicativos atualizam, e o .sol novo é entregue automaticamente na carteira que segurava o domínio no snapshot de 17 de agosto de 2026. Não há clique, taxa, assinatura ou página de reivindicação.
Vou perder meu domínio?
Não. O domínio continua na sua carteira, com o mesmo dono, registros, domínio primário, subdomínios e sub-registrars. Só o sufixo exibido muda de .sol para .sns.
Como sei se um site de migração é golpe?
Se ele pedir para conectar carteira, verificar, reivindicar, assinar ou pagar, é golpe. O SNS foi explícito: não existe nenhuma dessas etapas. O único endereço oficial para acompanhar o andamento é migration.sns.id, e o melhor é digitá-lo na mão em vez de clicar em links.
Meu .sol novo já funciona quando chegar?
Não de imediato. Na entrega ele não resolve endereço e não suporta registros, domínio primário nem subdomínios. Essas funções chegam na ativação progressiva, prevista entre outubro de 2026 e janeiro de 2027.
Meus subdomínios ganham .sol também?
Não. Subdomínios herdam o novo sufixo .sns do domínio pai, mas não recebem um .sol próprio.
Por que o SNS está trocando de programa on-chain?
O registro atual roda no SPL Name Service, um programa público compartilhado por muitos projetos além do SNS, e por isso não podia ser modificado. O SNS escreveu o Solana Record Service (SRS), feito exclusivamente para nomes de domínio, para servir de base aos novos .sol.
O .sol vai virar um domínio de internet de verdade?
É o objetivo declarado: registrar o .sol na ICANN como domínio de topo genérico, ao lado de .com e .app. O próprio SNS afirma que esse processo leva anos, não meses. A migração atual é a preparação de infraestrutura para essa tentativa.