
O registro da chapa do PRTB à Presidência da República, no sábado (15/8), entregou ao TSE dois números que dominaram o noticiário: Pablo Marçal declarou R$ 7,418 bilhões em bens — 4.276% a mais do que os R$ 169,5 milhões que informou em 2024 — e seu vice, Leonardo Avalanche, declarou R$ 491.174.496,00 em Bitcoin. Pela cotação desta segunda-feira (17/8), com o BTC a cerca de R$ 335 mil, o valor equivale a aproximadamente 1.460 bitcoins, ou US$ 94 milhões. E tem um detalhe que quase ninguém notou: na declaração bilionária de Marçal, não aparece uma única criptomoeda.
Os números da chapa PRTB no TSE
| Item | Valor declarado | Leitura |
|---|---|---|
| Patrimônio total de Pablo Marçal | R$ 7,418 bilhões | 43,8x o declarado em 2024 |
| Renda fixa no Itaú (Marçal) | R$ 6,791 bilhões | 91,6% do total |
| Criptomoedas na declaração de Marçal | R$ 0 | Nenhuma declarada |
| Bitcoin de Leonardo Avalanche (vice) | R$ 491.174.496 | ~1.460 BTC na cotação atual |
| Patrimônio total de Avalanche | R$ 495,2 milhões | 99,2% em Bitcoin |
| Terreno de Marçal em Santana de Parnaíba | R$ 490 milhões | Vale quase o mesmo que o BTC do vice |
Quem é Leonardo Avalanche, o vice com R$ 491 milhões em Bitcoin
Leonardo Alves de Araújo, 48 anos, nascido em Anápolis (GO) e filho de pastor evangélico, preside o PRTB nacionalmente desde fevereiro de 2024 — o partido pelo qual coordenou a campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo naquele ano. Na ficha do TSE, aparece como servidor público estadual com ensino superior completo. Já disputou eleições como suplente de deputado federal (2018) e de vereador (2016 e 2008), além de deputado estadual (2006), sem se eleger.
A novela da chapa foi rápida: no fim de julho, o PRTB lançou o próprio Avalanche como candidato a presidente, já que Marçal estava fora do partido e inelegível até 2032 por condenação da Justiça Eleitoral referente à campanha de 2024. Na véspera do registro, Marçal obteve liminar autorizando sua refiliação, assumiu a cabeça de chapa — que segue sub judice — e Avalanche desceu para vice. É a chapa de número 28.
Além dos R$ 491,2 milhões em Bitcoin, a declaração de Avalanche lista joias (R$ 1,2 milhão), obras de arte (R$ 2,23 milhões), participações em holdings próprias e 100% do Avalanche Bank Ltda. (R$ 500 mil). Em janeiro de 2026, o Ministério Público de São Paulo o denunciou por supostos crimes na disputa pelo controle do PRTB; a Justiça aceitou a denúncia e ele responde ao processo — a defesa nega irregularidades.
R$ 491 milhões em BTC: o que esse número significa
Convertido pela cotação de hoje (R$ 335 mil por BTC), o valor declarado equivale a cerca de 1.460 bitcoins — patrimônio digital que colocaria o candidato a vice entre os maiores detentores individuais de Bitcoin publicamente conhecidos no Brasil. Para comparar: são mais de US$ 94 milhões em um único ativo, concentrando 99,2% de tudo o que ele declarou possuir.
Há, porém, uma ressalva técnica importante: pelas regras do TSE (Resolução nº 23.609/2019), o candidato informa os bens pelo valor declarado à Receita Federal — que, no caso de criptomoedas, costuma ser o custo de aquisição, não o preço de mercado. Ou seja, a quantidade real de BTC pode ser diferente da conta simples, para mais ou para menos. E como a declaração não inclui endereços de carteira, não há como auditar a posição on-chain: o número existe no papel, sob fé pública do declarante.
“Investimento em criptomoeda — Bitcoin: R$ 491.174.496,00.”
— Declaração de bens de Leonardo Avalanche ao TSE, registro de candidatura 2026
E o Marçal? R$ 7,4 bilhões — e nenhum satoshi
O contraste dentro da própria chapa é curioso. Marçal, que construiu imagem pública ligada a investimentos e mentorias digitais, declarou um patrimônio 43,8 vezes maior que o de 2024 — salto de 4.276% em dois anos — mas com perfil conservador: R$ 6,79 bilhões (91,6%) numa única aplicação de renda fixa no Banco Itaú, um terreno urbano de R$ 490 milhões em Santana de Parnaíba (SP), R$ 80 milhões em 80% da Aviation Participações e fatias em holdings da família, fundos no Safra e Itaú e um imóvel em Pirenópolis (GO). Criptomoedas: nenhuma.
A ironia dos números: o terreno de Marçal (R$ 490 mi) vale praticamente o mesmo que o cofre de Bitcoin do próprio vice (R$ 491 mi). Na chapa, quem carrega a tese cripto é o número 2.
Bitcoin pode aparecer na eleição — mas não pode financiá-la
Declarar cripto ao TSE é permitido e cada vez mais comum: neste ciclo, candidatos de vários estados listaram BTC e outros ativos digitais — a jornalista Rachel Sheherazade, por exemplo, incluiu criptomoedas entre os R$ 140 mil que declarou. O que segue proibido é doar ou financiar campanha com criptomoedas: as regras de arrecadação do TSE vetam moedas virtuais e cartões pré-pagos como fonte de recursos eleitorais.
Qualquer eleitor pode conferir as declarações no DivulgaCandContas, o portal público do TSE que reúne bens, propostas e contas de todos os candidatos — transparência que, no caso de cripto, ainda depende inteiramente do que o candidato escreve no formulário.
A chapa PRTB em números
R$ 7,4 bi
Patrimônio de Marçal
R$ 491 mi
Bitcoin do vice Avalanche
~1.460
BTC pela cotação atual
+4.276%
Salto patrimonial de Marçal desde 2024
Perguntas Frequentes
Quanto Leonardo Avalanche declarou em Bitcoin ao TSE?
R$ 491.174.496,00 em Bitcoin — 99,2% dos R$ 495,2 milhões de patrimônio total que o candidato a vice-presidente pelo PRTB informou ao registrar a chapa com Pablo Marçal em 15 de agosto de 2026.
Quantos bitcoins são R$ 491 milhões?
Pela cotação de 17/8/2026 (cerca de R$ 335 mil por BTC), aproximadamente 1.460 bitcoins, ou US$ 94 milhões. Como o TSE usa o valor informado à Receita — geralmente o custo de aquisição —, a quantidade real de BTC pode ser diferente.
Pablo Marçal declarou criptomoedas em 2026?
Não. Dos R$ 7,418 bilhões declarados, 91,6% (R$ 6,79 bi) estão em renda fixa no Itaú, além de um terreno de R$ 490 milhões em Santana de Parnaíba (SP) e participações em empresas. Nenhuma criptomoeda aparece na declaração.
Candidato pode receber doação em Bitcoin?
Não. Declarar criptomoedas como patrimônio é permitido, mas as regras do TSE proíbem doações e financiamento de campanha com moedas virtuais ou cartões pré-pagos. As declarações podem ser consultadas no portal DivulgaCandContas.
Mais lidas no Blog
- Strategy vende US$ 334 milhões em ações e não compra Bitcoin: o que a pausa de Saylor sinaliza
- NoOnes Anuncia Encerramento: Saque Seus BTC e USDT Até 23 de Agosto
- Como Comprar USDT (Tether) no Brasil com PIX em 2026
- O que é Tether (USDT) e Por Que é o Dólar Digital em 2026
- DolaRamp: a nossa carteira de dólar digital que não precisa de gás