A maior aposta corporativa em Bitcoin da história está sendo testada como nunca. As ações da Strategy (ex-MicroStrategy, ticker MSTR) caíram abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde março de 2024 — o menor patamar em dois anos. Com o Bitcoin perdendo os US$ 60 mil, a “máquina de crédito em Bitcoin” de Michael Saylor entrou na mira do mercado.

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O que aconteceu com a Strategy (MSTR)
Em 24 de junho de 2026, a ação da Strategy fechou abaixo de US$ 100 pela primeira vez desde março de 2024, enquanto o Bitcoin rondava os US$ 61.300. A empresa é, de longe, a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo: 847.363 BTC, cerca de 4% de toda a oferta da moeda, comprados a um preço médio de US$ 75.651.
O problema é matemático: com o BTC abaixo de US$ 62 mil, boa parte dessa montanha de Bitcoin está no prejuízo no papel — a Exame estima a perda potencial em torno de US$ 11 bilhões. E o mercado começou a questionar não o Bitcoin em si, mas a engenharia financeira que sustenta a compra.
Strategy em números
< US$ 100
Ação MSTR (mín. 2 anos)
847.363
BTC em caixa
US$ 75.651
Preço médio de compra
~US$ 11 bi
Perda potencial
O nó: as ações preferenciais STRC
O ponto mais delicado não é a ação ordinária, e sim as preferenciais de taxa variável (STRC) — peça central do modelo de captação de Saylor. Elas deveriam orbitar os US$ 100, mas despencaram para uma mínima intradiária de US$ 82,53, fechando em US$ 88,59. É o sinal de que o “rendimento” exigido pelo mercado para financiar a Strategy subiu — encarecendo a máquina.
Segundo cálculo de Julio Moreno, da CryptoQuant, a empresa precisaria de cerca de US$ 2,8 bilhões em reservas para garantir 24 meses de cobertura dos US$ 1,2 bilhão em compromissos anuais com dividendos das preferenciais. Em um mercado de baixa, fechar essa conta fica mais difícil.
A venda que dividiu o mercado
Para cobrir os dividendos das preferenciais, a Strategy fez o que jurou que nunca faria: vendeu Bitcoin pela primeira vez em quatro anos. Foi uma quantia pequena perto do total, mas o simbolismo abalou o sentimento — e ajudou a acelerar a própria queda do BTC, num efeito de retroalimentação.
“O Bitcoin continua funcionando.” Saylor minimizou a queda, lembrando que a empresa já atravessou ciclos com o BTC abaixo de US$ 16 mil e seguiu de pé.
— Michael Saylor, fundador da Strategy
As opiniões se dividem. O analista Mark Palmer (Benchmark) manteve recomendação de compra e alvo de US$ 570, tratando a queda das STRC como um “reajuste de mercado” e não uma quebra estrutural. Já o crítico de longa data Peter Schiff enxerga uma fragilidade real no modelo de financiamento.
Por que isso importa para todo o mercado
Com 4% de todo o Bitcoin em uma única tesouraria alavancada, o medo do mercado tem nome: venda forçada. Se a Strategy fosse obrigada a se desfazer de grandes lotes para honrar compromissos, a pressão sobre o preço do BTC seria enorme. Por isso o caso virou termômetro de risco para toda a cripto.
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Leia também: Por que o Bitcoin caiu abaixo de US$ 60 mil?
Perguntas Frequentes
Por que a ação da Strategy (MSTR) caiu abaixo de US$ 100?
Pela queda do Bitcoin abaixo de US$ 62 mil — que coloca boa parte das 847.363 BTC da empresa no prejuízo no papel — somada à pressão sobre o modelo de financiamento das ações preferenciais STRC, que caíram a US$ 82,53.
Quantos Bitcoins a Strategy tem?
847.363 BTC, cerca de 4% de toda a oferta de Bitcoin, a um preço médio de US$ 75.651. É a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo.
A Strategy pode ser forçada a vender Bitcoin?
O risco existe e preocupa o mercado: a empresa já vendeu BTC pela primeira vez em 4 anos para cobrir dividendos. Uma venda forçada de grandes lotes pressionaria o preço do Bitcoin. Saylor, porém, minimiza e diz que a empresa já atravessou ciclos piores.
Comprar MSTR é o mesmo que comprar Bitcoin?
Não. A MSTR é uma aposta alavancada, com dívida e dividendos no meio. Quem quer exposição direta e sem risco de balanço de terceiros pode simplesmente comprar Bitcoin e guardá-lo em autocustódia.
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