A semana entre 7 e 10 de junho de 2026 vai ficar marcada como uma das mais turbulentas da história recente do mercado cripto brasileiro. Em menos de 72 horas, a NovaDAX anunciou o encerramento de suas operações no Brasil, o BTG Pactual descontinuou sua stablecoin BTGDOL e os operadores P2P do país elevaram o tom contra a nova regulação do Banco Central, que exige capital mínimo de até R$ 12 milhões para quem quiser continuar operando legalmente.

Regulação P2P do Banco Central: NovaDAX encerra operações e BTG descontinua stablecoin
Edifício-sede do Banco Central, em Brasília. Crédito: Wikimedia Commons/CC
Resumo rápido: a regulação VASP do Banco Central, com vigência prevista para novembro de 2026, exige capital mínimo de R$ 12 milhões para intermediários e até R$ 30 milhões para corretoras. Na mesma semana, a NovaDAX anunciou o fim das operações no Brasil e o BTG encerrou a stablecoin BTGDOL — sinais de uma consolidação acelerada do setor.

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O que muda com a regulação P2P do Banco Central

Desde a Lei 14.478/2022, o mercado brasileiro aguardava as regras finais para as VASPs (Virtual Asset Service Providers) — as prestadoras de serviços de ativos virtuais. O pacote regulatório do Banco Central definiu exigências que, na prática, redesenham quem pode operar no país a partir de novembro de 2026:

  • Capital mínimo de R$ 12 milhões para operadores enquadrados como intermediários — incluindo P2Ps;
  • Até R$ 30 milhões para corretoras;
  • Estrutura formal de compliance, auditoria independente e equipes especializadas;
  • Autorização prévia do Banco Central para continuar operando.

O problema, segundo os próprios operadores, não é a regulação em si — é a falta de proporcionalidade. As mesmas exigências desenhadas para instituições com porte de banco foram aplicadas a operações enxutas que sustentaram a liquidez descentralizada do Brasil por mais de uma década.

“O novo regime não nivela o jogo — ele decide quem pode jogar.”

— Archelix P2P, sobre a regulação do Banco Central

Outros operadores ouvidos pela imprensa especializada seguiram a mesma linha. Vinicius Frias, ex-Alterbank, resumiu: “O principal é a falta de proporcionalidade. A norma cria um muro regulatório gigantesco”. Já a operadora Jéssica Lima P2P declarou ser “totalmente contra a forma como essa regulamentação foi imposta”, com regras “excessivamente complexas e custosas”.

NovaDAX encerra operações no Brasil

No dia 8 de junho, a NovaDAX — uma das maiores exchanges em atividade no país — anunciou o encerramento de suas operações no Brasil. Segundo o CEO Edward Zhang, a decisão veio após “uma análise cuidadosa de nossas prioridades e dos rumos futuros”.

O cronograma de transição para os clientes é apertado:

Data O que acontece Status
08/06/2026 Fim de novos cadastros, compras no Order Book, staking e lending Encerrado
12/06/2026 Último dia para depósitos em reais e criptoativos Prazo final
30/06/2026 Último dia para vendas no Order Book Prazo final
Durante todo o processo Saques e consultas continuam funcionando Ativo

Se você tem fundos na NovaDAX, a recomendação é clara: retire seus criptoativos para uma carteira própria ou converta para reais o quanto antes. E atenção redobrada a golpes — comunicações oficiais virão apenas pelos canais oficiais da exchange.

BTG Pactual desiste da stablecoin BTGDOL

No mesmo dia, o BTG Pactual anunciou a descontinuação do BTGDOL, uma das primeiras stablecoins de dólar lançadas por um banco brasileiro. O cronograma: novas compras encerram em 24 de junho, vendas manuais até 30 de junho, e em 1º de julho todos os saldos restantes serão convertidos automaticamente para USDC, na proporção 1:1 e sem taxas.

A justificativa do banco é reveladora: a consolidação do USDC como padrão internacional, com “elevada liquidez e ampla aceitação”, tornou a stablecoin própria desnecessária. É o mesmo movimento que vimos quando o Banco Central desligou a plataforma do Drex: o mercado global de stablecoins venceu as soluções locais.

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O que isso significa para o mercado brasileiro

A semana em números

R$ 12 mi

Capital mínimo exigido de P2Ps

Nov/2026

Vigência das novas regras

2

Saídas em 1 dia: NovaDAX e BTGDOL

O recado do Banco Central é inequívoco: o mercado cripto brasileiro está entrando na era da consolidação. Quem não tiver estrutura de capital, compliance e autorização VASP vai sair do jogo — voluntariamente, como a NovaDAX, ou empurrado pela regulação, como centenas de pequenos operadores P2P. A análise da FGV citada pelo setor aponta exatamente esse risco: concentração de mercado e barreira à entrada, com parte da liquidez migrando para a informalidade ou para fora do país.

Por outro lado, para quem se adaptar, o cenário pós-regulação promete um mercado mais confiável — com menos golpes, mais proteção ao usuário e a possibilidade de competir de igual para igual com bancos que, como mostra o caso BTGDOL, nem sempre acertam no produto.

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A BitcoinP2P — primeira exchange P2P do Brasil, com mais de 100 mil transações e R$ 700 milhões em volume on-chain verificável em 10 anos de histórico público — está em processo de adequação à nova regulação. Se você é investidor, fundo ou empresário do setor e quer participar dessa transição, conheça as modalidades de parceria e investimento em nossa página de investidores. Respondemos em até 24 horas úteis.

Perguntas Frequentes

O P2P vai acabar no Brasil?

Não. A regulação do Banco Central não proíbe o P2P, mas exige que operadores profissionais obtenham autorização VASP e cumpram requisitos de capital mínimo (R$ 12 milhões para intermediários). Negociações diretas entre pessoas físicas, sem intermediação habitual e profissional, seguem fora do escopo. Na prática, o mercado deve se concentrar em players estruturados.

Tenho fundos na NovaDAX. O que devo fazer?

Saques e consultas continuam funcionando durante todo o processo de encerramento. Você pode vender seus criptoativos no Order Book até 30 de junho de 2026 ou sacar para uma carteira própria. Não deixe para a última hora e desconfie de qualquer contato que não venha dos canais oficiais da exchange.

O que acontece com quem tem BTGDOL?

Quem não vender manualmente até 30 de junho terá o saldo convertido automaticamente em USDC na proporção 1:1, sem taxas, a partir de 1º de julho de 2026. Lembre-se: alienações acima de R$ 35 mil por mês geram obrigações fiscais junto à Receita Federal.

Quando as novas regras do Banco Central entram em vigor?

O novo regime para prestadoras de serviços de ativos virtuais (VASPs) tem vigência prevista para novembro de 2026. Até lá, empresas que pretendem continuar operando precisam protocolar pedido de autorização e se adequar às exigências de capital e compliance.

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