
No mesmo dia, duas notícias que se completam. Em Brasília, um novo relatório do Banco Central colocou na agenda oficial do Pix as conexões bilaterais com outros países e a participação em redes compartilhadas de pagamento internacional. Em Moscou e Pequim, a Reuters revelou que os países do BRICS discutem interligar seus sistemas de pagamento instantâneo e suas CBDCs para baratear transações transfronteiriças. O Pix quer virar global — e a disputa pela infraestrutura do dinheiro internacional está oficialmente aberta.
O que diz o novo relatório do Banco Central
O documento coloca na mesa três frentes para o futuro do Pix:
- Conexões bilaterais: ligar o Pix diretamente a sistemas de pagamento instantâneo de outros países;
- Redes compartilhadas: participar de plataformas multilaterais de liquidação entre países;
- Pix offline: pagamentos sem conexão à internet, detalhados no mesmo relatório junto a uma série de outras evoluções do sistema.
O detalhe que modera o entusiasmo: o BC não definiu parceiros, plataforma nem cronograma. Ou seja, o Pix internacional é, por ora, uma direção estratégica — não um produto com data de lançamento.
BRICS: a mesma ideia, em escala de bloco
Segundo a Reuters, os países do BRICS discutem interligar seus sistemas de pagamento rápido e suas moedas digitais de banco central (CBDCs) para melhorar pagamentos transfronteiriços e reduzir custos de transação. O Brasil, dono de um dos sistemas instantâneos mais bem-sucedidos do mundo, chega a essa mesa com o ativo mais valioso: o Pix processa o dia a dia financeiro de um país inteiro.
“Países do BRICS discutem a integração de sistemas de pagamento instantâneo e CBDCs para melhorar pagamentos transfronteiriços e reduzir custos de transação.”
— Reuters, 11/08/2026
A ironia: enquanto o trilho oficial não existe, o dólar digital já faz esse trabalho
Aqui está o contraste que o leitor de cripto enxerga de longe: o mesmo Banco Central que estuda um sistema de pagamentos internacionais acaba de travar por 24 horas as transferências de stablecoins — a tecnologia que já resolve remessa internacional hoje, em minutos, sem esperar acordo bilateral nenhum.
| Critério | Pix internacional (projeto) | Stablecoin (USDT/USDC) |
|---|---|---|
| Disponibilidade | Sem cronograma | Funciona hoje |
| Alcance | Depende de acordos entre países | Global, 24/7, qualquer carteira |
| Moeda | Real ↔ moeda local do parceiro | Dólar digital |
| Custo | A definir | Centavos a poucos dólares por envio |
O tabuleiro dos pagamentos globais
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Frentes do BC: bilateral, redes e Pix offline
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Parceiros, plataforma ou cronograma definidos
BRICS
Bloco discute integrar pagamentos e CBDCs
Perguntas Frequentes
O Pix internacional já tem data para funcionar?
Não. O relatório do Banco Central coloca as conexões internacionais na agenda do Pix, mas ainda não define parceiros, plataforma nem cronograma.
O que é o Pix offline?
Uma evolução detalhada no mesmo relatório do BC que permitirá realizar pagamentos Pix sem conexão à internet no momento da transação.
Como enviar dinheiro pro exterior enquanto o Pix internacional não existe?
A alternativa que mais cresce é a stablecoin: converter reais em dólar digital (USDT/USDC) e enviar para qualquer carteira do mundo em minutos — caminho que já domina remessas em economias emergentes.
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