O dólar fechou a sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a R$ 5,0377, último fechamento antes do 2º turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. É 3,56% abaixo da véspera do 1º turno. Para pôr esse número em perspectiva, levantamos a cotação oficial do Banco Central em todas as eleições presidenciais desde o Plano Real (1994): o fechamento na véspera, o dia seguinte, 30 dias depois e os recordes de cada governo.

Dólar nas eleições desde 1994: cotação PTAX antes e depois de cada votação presidencial
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Crédito: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
Resumo: nas oito eleições desde 1994, o dólar nunca andou mais de 2,2% no primeiro dia útil depois da votação decisiva. O movimento grande vem antes da urna: em 2002 a moeda subiu 32,41% nos três meses anteriores à eleição e bateu R$ 3,9552 em 22/10/2002, cinco dias antes da vitória de Lula. O recorde nominal da série é R$ 6,2086, em 02/01/2025.
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O dólar na véspera e depois de cada eleição

As eleições presidenciais no Brasil acontecem no domingo (a de 1994 foi numa segunda-feira). Por isso, o “fechamento 24 horas antes” é, na prática, o da sexta-feira anterior. A tabela mostra essa cotação na véspera da votação que decidiu a eleição (o 2º turno, quando houve), o primeiro dia útil seguinte e a cotação 30 dias depois.

EleiçãoVencedorVéspera1º dia útil depois30 dias depois
1994
1º turno, 03/10/1994
Fernando Henrique Cardoso
PSDB · Centro
R$ 0,8530
30/09/1994
R$ 0,8490
-0,47%
R$ 0,8450
-0,94%
1998
1º turno, 04/10/1998
Fernando Henrique Cardoso
PSDB · Centro
R$ 1,1837
02/10/1998
R$ 1,1860
+0,19%
R$ 1,1929
+0,78%
2002
2º turno, 27/10/2002
Luiz Inácio Lula da Silva
PT · Esquerda
R$ 3,8015
25/10/2002
R$ 3,7406
-1,60%
R$ 3,5872
-5,64%
2006
2º turno, 29/10/2006
Luiz Inácio Lula da Silva
PT · Esquerda
R$ 2,1378
27/10/2006
R$ 2,1456
+0,36%
R$ 2,1870
+2,30%
2010
2º turno, 31/10/2010
Dilma Rousseff
PT · Esquerda
R$ 1,7014
29/10/2010
R$ 1,7044
+0,18%
R$ 1,7161
+0,86%
2014
2º turno, 26/10/2014
Dilma Rousseff
PT · Esquerda
R$ 2,4805
24/10/2014
R$ 2,5341
+2,16%
R$ 2,5237
+1,74%
2018
2º turno, 28/10/2018
Jair Bolsonaro
PSL · Direita
R$ 3,6753
26/10/2018
R$ 3,6368
-1,05%
R$ 3,8925
+5,91%
2022
2º turno, 30/10/2022
Luiz Inácio Lula da Silva
PT · Esquerda
R$ 5,3454
28/10/2022
R$ 5,2570
-1,65%
R$ 5,3076
-0,71%

O que chama atenção é a calma do dia seguinte. A maior alta foi em 2014 (+2,16%), depois da reeleição apertada de Dilma Rousseff. As maiores quedas vieram depois das vitórias de Lula em 2002 (-1,60%) e 2022 (-1,65%) e de Bolsonaro em 2018 (-1,05%). Em todos os casos o mercado já tinha precificado o resultado provável nas semanas anteriores.

Onde o dólar se mexe: a corrida eleitoral

Medimos a variação entre 90 dias antes do 1º turno e a véspera da votação decisiva, além da variação entre os dois turnos.

EleiçãoVencedor90 dias antes do 1º turnoVéspera da decisãoNa corridaEntre turnos
1994Fernando Henrique CardosoR$ 0,9320R$ 0,8530-8,48%sem 2º turno
1998Fernando Henrique CardosoR$ 1,1583R$ 1,1837+2,19%sem 2º turno
2002Luiz Inácio Lula da SilvaR$ 2,8711R$ 3,8015+32,41%+3,89%
2006Luiz Inácio Lula da SilvaR$ 2,1701R$ 2,1378-1,49%-1,67%
2010Dilma RousseffR$ 1,7755R$ 1,7014-4,17%+1,20%
2014Dilma RousseffR$ 2,2201R$ 2,4805+11,73%-0,51%
2018Jair BolsonaroR$ 3,8692R$ 3,6753-5,01%-5,03%
2022Luiz Inácio Lula da SilvaR$ 5,3038R$ 5,3454+0,78%-1,13%
2026em disputaR$ 5,1670R$ 5,0377-2,50%-3,56%
  • 2002 foi a exceção. O dólar saiu de R$ 2,8711 para R$ 3,8015 com o mercado temendo a vitória de Lula, mesmo depois da “Carta ao Povo Brasileiro”. Passada a eleição, a moeda caiu 5,64% em 30 dias.
  • 2014: alta de 11,73% na corrida, com a disputa entre Dilma e Aécio Neves e a economia já desacelerando.
  • 2018: o dólar caiu 5,03% entre os turnos, à medida que as pesquisas confirmavam Bolsonaro. Mas subiu 5,91% nos 30 dias seguintes.
  • 2026: até aqui, queda de 2,50% na corrida e de 3,56% entre os turnos.

Recordes de cada governo desde o Plano Real

A tabela mostra o dólar na posse e na saída de cada presidente, a variação no período e a máxima e a mínima do mandato (PTAX de venda, valores nominais). Para o 3º mandato de Lula, os dados vão até 23/10/2026.

GovernoPosseSaídaVariaçãoMáximaMínima
Itamar Franco
— · Centro
01/07/1994 a 31/12/1994
R$ 1,0000R$ 0,8460-15,40%R$ 1,0000
01/07/1994
R$ 0,8290
14/10/1994
FHC (1º mandato)
PSDB · Centro
01/01/1995 a 31/12/1998
R$ 0,8460R$ 1,2087+42,90%R$ 1,2087
31/12/1998
R$ 0,8340
09/02/1995
FHC (2º mandato)
PSDB · Centro
01/01/1999 a 31/12/2002
R$ 1,2087R$ 3,5333+192,30%R$ 3,9552
22/10/2002
R$ 1,2078
04/01/1999
Lula (1º mandato)
PT · Esquerda
01/01/2003 a 31/12/2006
R$ 3,5333R$ 2,1380-39,50%R$ 3,6623
27/01/2003
R$ 2,0586
10/05/2006
Lula (2º mandato)
PT · Esquerda
01/01/2007 a 31/12/2010
R$ 2,1380R$ 1,6662-22,10%R$ 2,5004
05/12/2008
R$ 1,5593
01/08/2008
Dilma (1º mandato)
PT · Esquerda
01/01/2011 a 31/12/2014
R$ 1,6662R$ 2,6562+59,40%R$ 2,7403
16/12/2014
R$ 1,5345
26/07/2011
Dilma (2º mandato)
PT · Esquerda
01/01/2015 a 11/05/2016
R$ 2,6562R$ 3,4645+30,40%R$ 4,1949
24/09/2015
R$ 2,5754
22/01/2015
Michel Temer
MDB · Centro
12/05/2016 a 31/12/2018
R$ 3,4645R$ 3,8748+11,80%R$ 4,1879
14/09/2018
R$ 3,0510
16/02/2017
Jair Bolsonaro
PSL/PL · Direita
01/01/2019 a 31/12/2022
R$ 3,8748R$ 5,2177+34,70%R$ 5,9372
14/05/2020
R$ 3,6519
31/01/2019
Lula (3º mandato)
PT · Esquerda
01/01/2023 a 23/10/2026
R$ 5,2177R$ 5,0377-3,40%R$ 6,2086
02/01/2025
R$ 4,7202
27/07/2023

Os picos têm quase sempre uma causa que vai além de quem estava no Planalto:

  • FHC (2º mandato): começa com o fim do câmbio fixo, em janeiro de 1999, e termina perto do pico de R$ 3,9552, no auge da incerteza eleitoral de 2002.
  • Lula (2º mandato): a mínima de R$ 1,5593 veio em agosto de 2008; a máxima, R$ 2,5004 em dezembro, com a crise financeira global.
  • Dilma (1º mandato): a mínima de R$ 1,5345, em julho de 2011, é a cotação mais baixa desde a desvalorização de 1999. No 2º mandato, o pico de R$ 4,1949 veio em setembro de 2015, logo após o Brasil perder o grau de investimento.
  • Temer: máxima de R$ 4,1879 em setembro de 2018, em plena campanha eleitoral.
  • Bolsonaro: máxima de R$ 5,9372 em maio de 2020, no choque da pandemia.
  • Lula (3º mandato): o recorde nominal de R$ 6,2086, em 02/01/2025, veio após a desconfiança com o pacote fiscal de dezembro de 2024.
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Esquerda, centro e direita: o que os números mostram

Agrupando os governos pela classificação mais usada na imprensa (PT na esquerda; PSDB, MDB e Itamar Franco no centro; Bolsonaro na direita), o resultado acumulado é este:

CampoGovernosTempo no cargoVariação acumulada do dólar
CentroItamar, FHC (2 mandatos), Temer11,1 anos+295,10%
EsquerdaLula (3 mandatos), Dilma (2 mandatos)17,2 anos-5,40%
DireitaBolsonaro4 anos+34,70%

É preciso ler essa tabela com cuidado. O número do centro carrega quase todo o ajuste do fim do câmbio fixo (1999), quando o real deixou de ser artificialmente valorizado. O da esquerda começa no pico de 2002 e atravessa o ciclo de alta das commodities dos anos 2000, que favoreceu todas as moedas de países exportadores. O da direita inclui a pandemia. O câmbio responde a juros, preço de commodities, crises externas e confiança na política fiscal, e todos esses fatores pesam mais que o rótulo ideológico de quem governa.

E o bitcoin nas eleições?

O bitcoin já existia em três eleições presidenciais. Como é negociado 24 horas, ele mostra a reação ainda no domingo à noite, quando o câmbio está fechado. A tabela converte o preço internacional (BTC/USD) pela PTAX do dia.

EleiçãoSexta antesDomingo × sexta (em US$)Segunda depois30 dias depois
2014
Dilma Rousseff
R$ 890-1.03%R$ 887
-0.36%
R$ 952
+6,99%
2018
Jair Bolsonaro
R$ 23.544-0.01%R$ 22.790
-3.20%
R$ 14.679
-37,66%
2022
Lula
R$ 110.110+0.14%R$ 107.758
-2.14%
R$ 87.225
-20,78%

As quedas de 30 dias em 2018 e 2022 não tiveram nada a ver com o Brasil. Em novembro de 2018 o mercado cripto despencou com a disputa que dividiu o Bitcoin Cash. Em novembro de 2022 veio a quebra da FTX. Na própria noite da eleição, o bitcoin praticamente não se mexeu nos três casos.

Como acompanhar o 2º turno de 2026

A apuração começa às 17h de domingo, 25 de outubro. Com o câmbio e a B3 fechados, a primeira reação do mercado aparece no dólar digital (USDT/BRL) e no bitcoin. Na nossa página de resultado da eleição 2026 ao vivo você acompanha o placar do TSE por estado e a cotação do USDT e do bitcoin às 17h comparada ao momento. O dólar comercial só volta a ser negociado na segunda-feira.

Metodologia

Cotação: dólar comercial, taxa PTAX de venda (série 1 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central), de 1º de julho de 1994 a 23 de outubro de 2026, 8.111 dias úteis. “Véspera” é o último dia útil antes da votação. “30 dias depois” é o último dia útil até 30 dias corridos após a votação. Em governos, “posse” é o último fechamento antes do início do mandato. O 2º mandato de Dilma vai até o afastamento, em 11 de maio de 2016. Todos os valores são nominais, sem correção pela inflação. Bitcoin: fechamento diário do par BTC/USD em mercado internacional, convertido pela PTAX do dia. Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

Quanto o dólar fechou na véspera do 2º turno de 2026?

O dólar comercial (PTAX de venda do Banco Central) fechou a sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a R$ 5,0377. Na véspera do 1º turno, em 2 de outubro, estava em R$ 5,2238: queda de 3,56% entre os turnos.

O dólar sobe ou cai depois da eleição presidencial?

Depende mais do que o mercado já esperava do que do resultado. Nas oito eleições desde 1994, a variação no primeiro dia útil depois da votação decisiva ficou entre -1,65% e +2,16%. Os movimentos grandes aconteceram antes da votação, como os +32% nos três meses anteriores à eleição de 2002.

Qual foi o maior valor do dólar na história do Real?

Pela PTAX de venda do Banco Central, o recorde nominal é R$ 6,2086, em 02/01/2025, no 3º mandato de Lula. Corrigido pela inflação do Brasil e dos Estados Unidos, o pico de outubro de 2002 pesa mais que o de 2025.

Em qual governo o dólar mais subiu?

Em termos percentuais, no 2º mandato de Fernando Henrique Cardoso (1999 a 2002): +192,3%. O período começa com o fim do câmbio fixo, em janeiro de 1999, e termina logo após o pico de outubro de 2002. Em queda, o destaque é o 1º mandato de Lula (2003 a 2006): -39,5%.

Por que a tabela usa a PTAX e não o dólar turismo?

A PTAX é a taxa oficial calculada pelo Banco Central com base nas negociações do mercado interbancário. É a única série diária pública e contínua desde o início do Plano Real, em julho de 1994, o que permite comparar todas as eleições pelo mesmo critério.

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