O dólar fechou a sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a R$ 5,0377, último fechamento antes do 2º turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. É 3,56% abaixo da véspera do 1º turno. Para pôr esse número em perspectiva, levantamos a cotação oficial do Banco Central em todas as eleições presidenciais desde o Plano Real (1994): o fechamento na véspera, o dia seguinte, 30 dias depois e os recordes de cada governo.

O dólar na véspera e depois de cada eleição
As eleições presidenciais no Brasil acontecem no domingo (a de 1994 foi numa segunda-feira). Por isso, o “fechamento 24 horas antes” é, na prática, o da sexta-feira anterior. A tabela mostra essa cotação na véspera da votação que decidiu a eleição (o 2º turno, quando houve), o primeiro dia útil seguinte e a cotação 30 dias depois.
| Eleição | Vencedor | Véspera | 1º dia útil depois | 30 dias depois |
|---|---|---|---|---|
| 1994 1º turno, 03/10/1994 | Fernando Henrique Cardoso PSDB · Centro | R$ 0,8530 30/09/1994 | R$ 0,8490 -0,47% | R$ 0,8450 -0,94% |
| 1998 1º turno, 04/10/1998 | Fernando Henrique Cardoso PSDB · Centro | R$ 1,1837 02/10/1998 | R$ 1,1860 +0,19% | R$ 1,1929 +0,78% |
| 2002 2º turno, 27/10/2002 | Luiz Inácio Lula da Silva PT · Esquerda | R$ 3,8015 25/10/2002 | R$ 3,7406 -1,60% | R$ 3,5872 -5,64% |
| 2006 2º turno, 29/10/2006 | Luiz Inácio Lula da Silva PT · Esquerda | R$ 2,1378 27/10/2006 | R$ 2,1456 +0,36% | R$ 2,1870 +2,30% |
| 2010 2º turno, 31/10/2010 | Dilma Rousseff PT · Esquerda | R$ 1,7014 29/10/2010 | R$ 1,7044 +0,18% | R$ 1,7161 +0,86% |
| 2014 2º turno, 26/10/2014 | Dilma Rousseff PT · Esquerda | R$ 2,4805 24/10/2014 | R$ 2,5341 +2,16% | R$ 2,5237 +1,74% |
| 2018 2º turno, 28/10/2018 | Jair Bolsonaro PSL · Direita | R$ 3,6753 26/10/2018 | R$ 3,6368 -1,05% | R$ 3,8925 +5,91% |
| 2022 2º turno, 30/10/2022 | Luiz Inácio Lula da Silva PT · Esquerda | R$ 5,3454 28/10/2022 | R$ 5,2570 -1,65% | R$ 5,3076 -0,71% |
O que chama atenção é a calma do dia seguinte. A maior alta foi em 2014 (+2,16%), depois da reeleição apertada de Dilma Rousseff. As maiores quedas vieram depois das vitórias de Lula em 2002 (-1,60%) e 2022 (-1,65%) e de Bolsonaro em 2018 (-1,05%). Em todos os casos o mercado já tinha precificado o resultado provável nas semanas anteriores.
Onde o dólar se mexe: a corrida eleitoral
Medimos a variação entre 90 dias antes do 1º turno e a véspera da votação decisiva, além da variação entre os dois turnos.
| Eleição | Vencedor | 90 dias antes do 1º turno | Véspera da decisão | Na corrida | Entre turnos |
|---|---|---|---|---|---|
| 1994 | Fernando Henrique Cardoso | R$ 0,9320 | R$ 0,8530 | -8,48% | sem 2º turno |
| 1998 | Fernando Henrique Cardoso | R$ 1,1583 | R$ 1,1837 | +2,19% | sem 2º turno |
| 2002 | Luiz Inácio Lula da Silva | R$ 2,8711 | R$ 3,8015 | +32,41% | +3,89% |
| 2006 | Luiz Inácio Lula da Silva | R$ 2,1701 | R$ 2,1378 | -1,49% | -1,67% |
| 2010 | Dilma Rousseff | R$ 1,7755 | R$ 1,7014 | -4,17% | +1,20% |
| 2014 | Dilma Rousseff | R$ 2,2201 | R$ 2,4805 | +11,73% | -0,51% |
| 2018 | Jair Bolsonaro | R$ 3,8692 | R$ 3,6753 | -5,01% | -5,03% |
| 2022 | Luiz Inácio Lula da Silva | R$ 5,3038 | R$ 5,3454 | +0,78% | -1,13% |
| 2026 | em disputa | R$ 5,1670 | R$ 5,0377 | -2,50% | -3,56% |
- 2002 foi a exceção. O dólar saiu de R$ 2,8711 para R$ 3,8015 com o mercado temendo a vitória de Lula, mesmo depois da “Carta ao Povo Brasileiro”. Passada a eleição, a moeda caiu 5,64% em 30 dias.
- 2014: alta de 11,73% na corrida, com a disputa entre Dilma e Aécio Neves e a economia já desacelerando.
- 2018: o dólar caiu 5,03% entre os turnos, à medida que as pesquisas confirmavam Bolsonaro. Mas subiu 5,91% nos 30 dias seguintes.
- 2026: até aqui, queda de 2,50% na corrida e de 3,56% entre os turnos.
Recordes de cada governo desde o Plano Real
A tabela mostra o dólar na posse e na saída de cada presidente, a variação no período e a máxima e a mínima do mandato (PTAX de venda, valores nominais). Para o 3º mandato de Lula, os dados vão até 23/10/2026.
| Governo | Posse | Saída | Variação | Máxima | Mínima |
|---|---|---|---|---|---|
| Itamar Franco — · Centro 01/07/1994 a 31/12/1994 | R$ 1,0000 | R$ 0,8460 | -15,40% | R$ 1,0000 01/07/1994 | R$ 0,8290 14/10/1994 |
| FHC (1º mandato) PSDB · Centro 01/01/1995 a 31/12/1998 | R$ 0,8460 | R$ 1,2087 | +42,90% | R$ 1,2087 31/12/1998 | R$ 0,8340 09/02/1995 |
| FHC (2º mandato) PSDB · Centro 01/01/1999 a 31/12/2002 | R$ 1,2087 | R$ 3,5333 | +192,30% | R$ 3,9552 22/10/2002 | R$ 1,2078 04/01/1999 |
| Lula (1º mandato) PT · Esquerda 01/01/2003 a 31/12/2006 | R$ 3,5333 | R$ 2,1380 | -39,50% | R$ 3,6623 27/01/2003 | R$ 2,0586 10/05/2006 |
| Lula (2º mandato) PT · Esquerda 01/01/2007 a 31/12/2010 | R$ 2,1380 | R$ 1,6662 | -22,10% | R$ 2,5004 05/12/2008 | R$ 1,5593 01/08/2008 |
| Dilma (1º mandato) PT · Esquerda 01/01/2011 a 31/12/2014 | R$ 1,6662 | R$ 2,6562 | +59,40% | R$ 2,7403 16/12/2014 | R$ 1,5345 26/07/2011 |
| Dilma (2º mandato) PT · Esquerda 01/01/2015 a 11/05/2016 | R$ 2,6562 | R$ 3,4645 | +30,40% | R$ 4,1949 24/09/2015 | R$ 2,5754 22/01/2015 |
| Michel Temer MDB · Centro 12/05/2016 a 31/12/2018 | R$ 3,4645 | R$ 3,8748 | +11,80% | R$ 4,1879 14/09/2018 | R$ 3,0510 16/02/2017 |
| Jair Bolsonaro PSL/PL · Direita 01/01/2019 a 31/12/2022 | R$ 3,8748 | R$ 5,2177 | +34,70% | R$ 5,9372 14/05/2020 | R$ 3,6519 31/01/2019 |
| Lula (3º mandato) PT · Esquerda 01/01/2023 a 23/10/2026 | R$ 5,2177 | R$ 5,0377 | -3,40% | R$ 6,2086 02/01/2025 | R$ 4,7202 27/07/2023 |
Os picos têm quase sempre uma causa que vai além de quem estava no Planalto:
- FHC (2º mandato): começa com o fim do câmbio fixo, em janeiro de 1999, e termina perto do pico de R$ 3,9552, no auge da incerteza eleitoral de 2002.
- Lula (2º mandato): a mínima de R$ 1,5593 veio em agosto de 2008; a máxima, R$ 2,5004 em dezembro, com a crise financeira global.
- Dilma (1º mandato): a mínima de R$ 1,5345, em julho de 2011, é a cotação mais baixa desde a desvalorização de 1999. No 2º mandato, o pico de R$ 4,1949 veio em setembro de 2015, logo após o Brasil perder o grau de investimento.
- Temer: máxima de R$ 4,1879 em setembro de 2018, em plena campanha eleitoral.
- Bolsonaro: máxima de R$ 5,9372 em maio de 2020, no choque da pandemia.
- Lula (3º mandato): o recorde nominal de R$ 6,2086, em 02/01/2025, veio após a desconfiança com o pacote fiscal de dezembro de 2024.
Esquerda, centro e direita: o que os números mostram
Agrupando os governos pela classificação mais usada na imprensa (PT na esquerda; PSDB, MDB e Itamar Franco no centro; Bolsonaro na direita), o resultado acumulado é este:
| Campo | Governos | Tempo no cargo | Variação acumulada do dólar |
|---|---|---|---|
| Centro | Itamar, FHC (2 mandatos), Temer | 11,1 anos | +295,10% |
| Esquerda | Lula (3 mandatos), Dilma (2 mandatos) | 17,2 anos | -5,40% |
| Direita | Bolsonaro | 4 anos | +34,70% |
É preciso ler essa tabela com cuidado. O número do centro carrega quase todo o ajuste do fim do câmbio fixo (1999), quando o real deixou de ser artificialmente valorizado. O da esquerda começa no pico de 2002 e atravessa o ciclo de alta das commodities dos anos 2000, que favoreceu todas as moedas de países exportadores. O da direita inclui a pandemia. O câmbio responde a juros, preço de commodities, crises externas e confiança na política fiscal, e todos esses fatores pesam mais que o rótulo ideológico de quem governa.
E o bitcoin nas eleições?
O bitcoin já existia em três eleições presidenciais. Como é negociado 24 horas, ele mostra a reação ainda no domingo à noite, quando o câmbio está fechado. A tabela converte o preço internacional (BTC/USD) pela PTAX do dia.
| Eleição | Sexta antes | Domingo × sexta (em US$) | Segunda depois | 30 dias depois |
|---|---|---|---|---|
| 2014 Dilma Rousseff | R$ 890 | -1.03% | R$ 887 -0.36% | R$ 952 +6,99% |
| 2018 Jair Bolsonaro | R$ 23.544 | -0.01% | R$ 22.790 -3.20% | R$ 14.679 -37,66% |
| 2022 Lula | R$ 110.110 | +0.14% | R$ 107.758 -2.14% | R$ 87.225 -20,78% |
As quedas de 30 dias em 2018 e 2022 não tiveram nada a ver com o Brasil. Em novembro de 2018 o mercado cripto despencou com a disputa que dividiu o Bitcoin Cash. Em novembro de 2022 veio a quebra da FTX. Na própria noite da eleição, o bitcoin praticamente não se mexeu nos três casos.
Como acompanhar o 2º turno de 2026
A apuração começa às 17h de domingo, 25 de outubro. Com o câmbio e a B3 fechados, a primeira reação do mercado aparece no dólar digital (USDT/BRL) e no bitcoin. Na nossa página de resultado da eleição 2026 ao vivo você acompanha o placar do TSE por estado e a cotação do USDT e do bitcoin às 17h comparada ao momento. O dólar comercial só volta a ser negociado na segunda-feira.
Metodologia
Cotação: dólar comercial, taxa PTAX de venda (série 1 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central), de 1º de julho de 1994 a 23 de outubro de 2026, 8.111 dias úteis. “Véspera” é o último dia útil antes da votação. “30 dias depois” é o último dia útil até 30 dias corridos após a votação. Em governos, “posse” é o último fechamento antes do início do mandato. O 2º mandato de Dilma vai até o afastamento, em 11 de maio de 2016. Todos os valores são nominais, sem correção pela inflação. Bitcoin: fechamento diário do par BTC/USD em mercado internacional, convertido pela PTAX do dia. Este conteúdo é informativo e não é recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
Quanto o dólar fechou na véspera do 2º turno de 2026?
O dólar comercial (PTAX de venda do Banco Central) fechou a sexta-feira, 23 de outubro de 2026, a R$ 5,0377. Na véspera do 1º turno, em 2 de outubro, estava em R$ 5,2238: queda de 3,56% entre os turnos.
O dólar sobe ou cai depois da eleição presidencial?
Depende mais do que o mercado já esperava do que do resultado. Nas oito eleições desde 1994, a variação no primeiro dia útil depois da votação decisiva ficou entre -1,65% e +2,16%. Os movimentos grandes aconteceram antes da votação, como os +32% nos três meses anteriores à eleição de 2002.
Qual foi o maior valor do dólar na história do Real?
Pela PTAX de venda do Banco Central, o recorde nominal é R$ 6,2086, em 02/01/2025, no 3º mandato de Lula. Corrigido pela inflação do Brasil e dos Estados Unidos, o pico de outubro de 2002 pesa mais que o de 2025.
Em qual governo o dólar mais subiu?
Em termos percentuais, no 2º mandato de Fernando Henrique Cardoso (1999 a 2002): +192,3%. O período começa com o fim do câmbio fixo, em janeiro de 1999, e termina logo após o pico de outubro de 2002. Em queda, o destaque é o 1º mandato de Lula (2003 a 2006): -39,5%.
Por que a tabela usa a PTAX e não o dólar turismo?
A PTAX é a taxa oficial calculada pelo Banco Central com base nas negociações do mercado interbancário. É a única série diária pública e contínua desde o início do Plano Real, em julho de 1994, o que permite comparar todas as eleições pelo mesmo critério.
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