O Bitcoin rompeu os US$ 80 mil na madrugada desta terça-feira (25) e chegou a tocar US$ 81 mil, derrubando mais de US$ 240 milhões em posições vendidas em uma hora — US$ 225 milhões deles em uma janela de apenas 10 minutos. É a primeira vez desde maio que o preço trabalha acima dessa faixa. E o combustível não veio do varejo: os ETFs à vista dos Estados Unidos emendaram seis pregões seguidos de entrada líquida, somando US$ 2,26 bilhões.

Bitcoin rompe US$ 80 mil com liquidação de shorts e entrada recorde nos ETFs à vista
Os ETFs à vista listados em Nova York puxaram a alta do Bitcoin acima de US$ 80 mil. Crédito: Wikimedia Commons
Resumo rápido: o Bitcoin passou de US$ 80 mil e chegou a US$ 81 mil, liquidando US$ 240 milhões em shorts em uma hora. Os ETFs à vista dos EUA acumularam US$ 2,26 bilhões em seis pregões (US$ 337,6 milhões só na segunda) e agosto já é o melhor mês da história desses fundos, com cerca de US$ 2,72 bilhões. A alta no mês passa de 28%. A CryptoQuant fala em “fase inicial” de um novo ciclo de alta, mas crava US$ 83 mil como o nível que precisa ser superado. No mesmo dia, US$ 115 milhões em posições compradas também foram liquidados — a faca corta dos dois lados.
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O que aconteceu na madrugada

A sequência foi rápida. Por volta das 23h18 (horário de Brasília) de segunda, o Bitcoin cruzou os US$ 80 mil. Seis minutos depois já estava em US$ 81 mil, com US$ 225 milhões em posições vendidas sendo liquidadas do mercado de derivativos, segundo o Watcher Guru. A Cointelegraph contabilizou mais de US$ 240 milhões em shorts queimados na primeira hora do rompimento.

Liquidação de short não é sinal de compra saudável: é gente que apostou na queda sendo forçada a recomprar. Cada recompra forçada empurra o preço mais para cima, o que estoura o próximo vendido — o efeito cascata que o mercado chama de short squeeze. Foi isso que transformou um rompimento técnico em um salto de mil dólares em minutos.

Ao longo do dia o movimento perdeu tração. O Bitcoin recuou da faixa dos US$ 80 mil enquanto o ouro esfriava com a queda dos juros dos títulos americanos, voltou a superar US$ 81 mil à tarde e, à noite, US$ 115 milhões em posições compradas foram liquidados em uma hora. Em resumo: o dia inteiro foi de oscilação violenta entre US$ 79 mil e US$ 81 mil, com alavancagem sendo destruída nos dois sentidos.

Quem está comprando: os ETFs voltaram com força

O dado mais relevante do rompimento não está no gráfico de preço, está no fluxo. Os ETFs à vista de Bitcoin dos Estados Unidos registraram na segunda-feira (24) o sexto pregão consecutivo de entrada líquida, com mais US$ 337,6 milhões. A sequência chegou a US$ 2,26 bilhões.

Indicador Número Leitura
Entrada na segunda (24/08) US$ 337,6 milhões 6º dia seguido
Sequência de 6 pregões US$ 2,26 bilhões positivo
Total de agosto ~US$ 2,72 bilhões recorde mensal
Recorde mensal anterior (abril) ~US$ 1,97 bilhão superado
Saídas acumuladas no ano ~US$ 2,57 bilhões encolhendo
Alta do Bitcoin em agosto ~28% melhor mês do ano

O detalhe que mais importa está na última linha da tabela acima: 2026 foi, até aqui, um ano de saída líquida dos ETFs. Esse buraco encolheu para cerca de US$ 2,57 bilhões, segundo a SoSoValue. Em outras palavras, o mercado gastou seis pregões desfazendo boa parte do que sete meses de resgates tinham feito — e o patrimônio total desses fundos voltou a se aproximar dos US$ 100 bilhões.

O sinal paralelo: opções do IBIT

No mesmo dia, o IBIT, ETF da BlackRock, registrou volume recorde de opções de compra (calls) enquanto as entradas do fundo passavam de US$ 1 bilhão. Volume recorde de call não é só aposta direcional: é mesa institucional montando exposição alavancada para cima com risco limitado. É o tipo de posicionamento que aparece no começo de tendência, não no fim.

O gatilho macro: recompra de dívida e o “debasement trade”

A alta não nasceu do nada. Na semana passada, o Tesouro dos Estados Unidos ampliou o programa de recompra de dívida de longo prazo, movimento que injeta liquidez em dólar no sistema. Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, resumiu o que muita mesa está pensando: o secretário Scott Bessent estaria repetindo a cartilha de Janet Yellen, usando emissão e recompra para irrigar o mercado — um cenário historicamente favorável ao Bitcoin.

“Ouro e Bitcoin voltando ao top 10 dos fundos mais negociados pode sinalizar que o debasement trade está substituindo a mania de IA.”

— Eric Balchunas, analista de ETFs da Bloomberg

Debasement trade é a aposta na desvalorização da moeda: quando o investidor deixa de perguntar “qual ação sobe mais?” e passa a perguntar “onde eu guardo valor enquanto imprimem?”. O pano de fundo ajuda a explicar: a dívida nacional americana passou de US$ 40 trilhões e já supera 123% do PIB — um tema que detalhamos aqui na semana passada.

Para quem está no Brasil, a tradução é direta: o mesmo movimento que empurra o Bitcoin para cima é o que corrói o poder de compra de quem guarda dinheiro parado — em dólar ou em real. Por isso tanta gente separa as duas coisas: Bitcoin como aposta de longo prazo e dólar digital (stablecoin) como caixa, sem depender de ordem de câmbio, horário bancário ou spread de banco.

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Os níveis que decidem o próximo movimento

A CryptoQuant afirma que a alta de 24% deixou os principais indicadores em configuração de “fase inicial” de um novo mercado de alta — mas com uma ressalva importante: US$ 83 mil segue sendo o nível crucial. Abaixo disso, o movimento continua sendo recuperação dentro de um ciclo de baixa; acima, muda de categoria.

No Brasil, a leitura técnica converge. O analista Bernardo Pascowitch destacou no gráfico semanal a zona entre US$ 79 mil e US$ 83 mil — região que funcionou como suporte em 2025 e que agora precisa ser reconquistada por cima. Ele também apontou divergências de alta no curto prazo, sugerindo novo teste do topo, mas alertou para a exaustão do movimento: a cada nova máxima, a força compradora diminui.

Nível O que significa Status
US$ 79 mil Piso da zona que segurou o preço em 2025 suporte imediato
US$ 80 mil Barreira psicológica e gatilho da liquidação de shorts rompida (25/08)
US$ 81 mil Máxima do movimento testada
US$ 83 mil Confirmação de novo ciclo de alta (CryptoQuant) pendente

O que pode dar errado

Três alertas honestos, porque euforia costuma cobrar caro:

  • Alavancagem alta nos dois lados. No mesmo dia em que US$ 240 milhões em shorts viraram pó, US$ 115 milhões em posições compradas foram liquidados. Mercado com alavancagem cheia se move rápido — e em qualquer direção.
  • Sentimento em ganância. O índice de Medo e Ganância saltou de 55 para 83 em cinco dias, entrando em território de “ganância extrema”, segundo leitura citada pela OKX. Historicamente, é onde o dinheiro esperto começa a realizar lucro.
  • O gatilho macro é externo. A alta apoia-se em decisões do Tesouro americano e no fluxo de ETFs. Nenhuma das duas coisas está sob controle de quem compra Bitcoin — e ambas podem virar em uma semana, como já viraram este ano.

O dia em números

US$ 81 mil

Máxima do movimento

US$ 240 mi

Shorts liquidados em 1h

US$ 2,26 bi

ETFs em 6 pregões

28%

Alta em agosto

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Perguntas Frequentes

Por que o Bitcoin passou de US$ 80 mil?

A alta combinou fluxo e macro: os ETFs à vista dos EUA acumularam US$ 2,26 bilhões em seis pregões seguidos de entrada líquida, enquanto o Tesouro americano ampliou a recompra de dívida de longo prazo, movimento que injeta liquidez em dólar. O rompimento técnico dos US$ 80 mil liquidou mais de US$ 240 milhões em posições vendidas, o que acelerou o movimento.

O que é liquidação de shorts?

É o fechamento forçado de quem apostou na queda usando alavancagem. Quando o preço sobe além do limite da posição, a corretora encerra a operação comprando o ativo no mercado. Essas compras forçadas empurram o preço ainda mais para cima e disparam novas liquidações, num efeito cascata conhecido como short squeeze.

Quanto os ETFs de Bitcoin captaram em agosto de 2026?

Cerca de US$ 2,72 bilhões, segundo a CryptoRank, o que faz de agosto o melhor mês da história dos ETFs à vista de Bitcoin nos EUA, superando o recorde anterior de aproximadamente US$ 1,97 bilhão registrado em abril.

O Bitcoin entrou em um novo bull market?

A CryptoQuant afirma que os indicadores apontam para a fase inicial de um novo ciclo de alta, mas condiciona a confirmação à superação dos US$ 83 mil. Enquanto o preço ficar abaixo desse nível, o movimento é tecnicamente uma recuperação dentro do ciclo anterior.

Qual é a diferença entre guardar Bitcoin e guardar stablecoin?

Bitcoin é um ativo volátil, com potencial de valorização e de queda expressiva no curto prazo. Stablecoin (como USDT e USDC) é dólar digital, feita para manter o valor estável e funcionar como caixa. Muita gente usa os dois com papéis diferentes: Bitcoin como posição de longo prazo e stablecoin como reserva para movimentar no dia a dia.

Leia também: Dívida dos EUA passa de US$ 40 trilhões e Tesouro dobra recompras

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