Dólar a R$ 5,60 após a reeleição de Lula: quem vai para o Ministério da Fazenda e o que sobe de preço
O dólar bateu R$ 5,60 na abertura de 26 de outubro de 2026, primeiro pregão depois da reeleição de Lula. Foto oficial do presidente (Palácio do Planalto, CC BY 2.0).

O dólar abriu a segunda-feira, 26 de outubro de 2026, em R$ 5,60, alta de 12% sobre o fechamento de sexta, o maior salto em um único dia desde o fim do câmbio fixo, em janeiro de 1999, e o Ibovespa acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. É a resposta do mercado à reeleição de Lula com 51,79% dos votos válidos, um resultado que as casas de análise e as bolsas de aposta não esperavam. A partir de agora a pergunta que move o câmbio é uma só: quem vai comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato. E a resposta chega à mesa do brasileiro antes do que parece, no preço do pão, do frango, do diesel e do remédio.

Resumo rápido: dólar na máxima de R$ 5,605 (+12,25%), Ibovespa com mínima de 169.516 pontos (-17%) e juros longos subindo quase 2 pontos. Haddad já não é ministro desde março e perdeu a eleição em São Paulo; os nomes na mesa são Rafael Fonteles, Dario Durigan e Gabriel Galípolo. Há exatos 12 anos, em 26 de outubro de 2014, Dilma foi reeleita e, um mês depois, anunciou Joaquim Levy: o dólar foi de R$ 2,66 para R$ 4,19 mesmo assim. Uma alta de 10% no câmbio costuma virar de 0,3 a 1 ponto de inflação em 12 meses, com alimentos na frente.
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O que aconteceu na abertura de 26 de outubro

O mercado chegou ao segundo turno posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro. A média das pesquisas de 23 e 24 de outubro dava 50,9% ao candidato do PL, e a Polymarket chegou a precificar 84% de chance para ele. Quando o TSE fechou a apuração com Lula na frente por 4,4 milhões de votos, todo esse posicionamento precisou ser desfeito de uma vez. O resultado foi um dos pregões mais violentos da história da B3.

Indicador Sexta (23/10) Segunda (26/10), até o meio-dia
Dólar comercial R$ 4,993 máxima R$ 5,605 +12,25%
Ibovespa 205.082 pontos mínima 169.516 -17,3%
Ibovespa futuro 208.095 chegou a 166.940 -19,8%
EWZ (ETF do Brasil em NY) US$ 42,59 US$ 31,82 no pré-mercado -25%
DI janeiro/2031 12,58% 14,46% +1,9 ponto
DI janeiro/2035 12,66% 14,59% +1,9 ponto
B3SA3, MGLU3, CEAB3 – quedas de 47% a 50%
Banco do Brasil / Bradesco – -31% / -24,5%
Vale (exportadora) – +6,5%

O circuit breaker foi acionado às 9h57, com o Ibovespa caindo 10%, e os negócios ficaram parados por 30 minutos. Na reabertura o índice ainda caía 15,9%. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e de IPCA+ da semana, mantendo só o leilão de LFT, o papel atrelado à Selic. A B3 ampliou os limites diários dos contratos futuros de dólar e de índice apenas para esta sessão. Esses números são de meio de pregão; o fechamento pode ser diferente, e atualizaremos este texto.

O maior salto do dólar em um dia desde 1999

A comparação que circula nas redações coloca o pregão de hoje ao lado das grandes crises pela alta acumulada no ano: 48% em 1999, 52% em 2002, 47% em 2015. É uma comparação injusta com os dois lados, porque mistura um dia com doze meses. A medida correta para o que aconteceu hoje é a maior variação em um único dia da série PTAX do Banco Central. Nessa régua, a alta de 12,25% desta segunda-feira passa o pior dia do fim do câmbio fixo, em 15 de janeiro de 1999, e o pior dia da crise de 2008.

Dia Contexto Dólar (PTAX venda) Alta no dia
26/10/2026 Reeleição de Lula, circuit breaker na B3 R$ 4,993 → R$ 5,605 (máxima) +12,25% intradia
15/01/1999 Fim do câmbio fixo, terceiro dia da flutuação R$ 1,3194 → R$ 1,4659 +11,1%
08/10/2008 Crise financeira mundial, semana da quebra do Lehman R$ 2,1883 → R$ 2,3924 +9,3%
13/01/1999 Primeiro dia da flutuação do real R$ 1,2114 → R$ 1,3193 +8,9%
31/07/2002 Crise de confiança na eleição de Lula R$ 3,2692 → R$ 3,4285 +4,9%
12/03/2020 Pandemia, circuit breaker duplo na B3 R$ 4,6738 → R$ 4,8833 +4,5%
26/08/2015 Crise do governo Dilma R$ 3,5345 → R$ 3,6326 +2,8%
28/11/2024 Pacote fiscal de Haddad com isenção do IR R$ 5,8291 → R$ 5,9871 +2,7%
27/10/2014 Dia seguinte à reeleição de Dilma R$ 2,47 → R$ 2,52 +2,2%

Uma ressalva: a PTAX é a média das cotações do dia, divulgada à tarde, e a parcial das 11h14 estava em R$ 5,4962, alta de 10,1%. Se o dólar devolver parte do ganho até o fechamento, o dia de hoje pode terminar atrás de janeiro de 1999 na PTAX oficial e ainda assim à frente de 2008. Em qualquer das duas medidas, é o maior choque cambial em um dia que a maioria dos brasileiros em idade de trabalhar já viu.

Os relatórios das casas convergem na causa. Para a Capital Economics, a vitória de Lula frustra a expectativa de reformas que melhorariam as contas públicas, e os cortes de Selic nas próximas reuniões deixaram de ser prováveis. O JP Morgan rebaixou o real e os títulos brasileiros de “overweight” para “marketweight”. O Morgan Stanley trabalha com dólar entre R$ 5,60 e R$ 5,70, podendo chegar a R$ 6,00 se o risco fiscal piorar, e com o DI de janeiro de 2029 em 14,5%, 15,5% ou 16,5% conforme o cenário. O BTG Pactual vê o Ibovespa perto de 170 mil pontos e o real perdendo de 10% a 15%. Pesa ainda o fator institucional: Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota e disse que vai à Justiça Eleitoral.

Quem vai para o Ministério da Fazenda de Lula

Uma correção antes de tudo, porque muita gente ainda pergunta se “Lula vai anunciar Haddad”: Fernando Haddad não é ministro da Fazenda desde 20 de março de 2026. Ele deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo e perdeu no primeiro turno para Tarcísio de Freitas, por 62,65% a 36,42%. Quem assumiu a Fazenda foi Dario Durigan, que era o secretário-executivo dele e foi tratado nos bastidores como a opção de continuidade. Durigan segue no cargo até o fim do mandato atual.

Para o quarto mandato, o nome mais citado é o de Rafael Fonteles, governador do Piauí reeleito no primeiro turno, segundo a colunista Bela Megale, do O Globo. Fonteles é matemático, foi secretário da Fazenda do estado, presidiu por quatro anos o Comsefaz, o comitê dos secretários estaduais de Fazenda, e é visto por parte do mercado como um petista moderado. Para aceitar o convite, precisaria renunciar ao governo do Piauí. Outros nomes aparecem nas colunas: a permanência de Durigan, Gabriel Galípolo, hoje presidente do Banco Central, e o senador eleito Renan Filho. Camilo Santana é cotado para a Casa Civil.

Nome Quem é Como o mercado tende a ler
Rafael Fonteles Governador do Piauí (PT), ex-secretário de Fazenda, ex-presidente do Comsefaz Aposta: sem histórico nacional, mas com perfil técnico e fiscalista estadual. Alívio moderado se vier junto com uma regra fiscal mais dura.
Dario Durigan Ministro atual, ex-secretário-executivo de Haddad Continuidade do arcabouço fiscal de 2023-2026. Ele mesmo propôs, em julho, reduzir o teto de crescimento real da despesa de 2,5% para 1,5% ou 2% ao ano, via PEC.
Gabriel Galípolo Presidente do Banco Central desde 2025 Tiraria do BC a única âncora em que o mercado confia hoje. Alívio na Fazenda, mas risco na política monetária.
Fernando Haddad Ex-ministro (2023-2026), derrotado em SP Leitura de repetição: o mercado lembra do dólar a R$ 6 em dezembro de 2024, depois do pacote de cortes de gastos que veio com a isenção do IR embutida. Não é “nome liberal”, é nome de continuidade.

Em 2022, Lula só anunciou Haddad em dezembro, mais de um mês após a eleição. Enquanto não há anúncio, o mercado precifica o vácuo, e o vácuo é sempre o pior cenário. Por isso o Morgan Stanley coloca o dólar a R$ 6 no cenário de risco fiscal, não no cenário base. A escolha do ministro importa menos pelo nome e mais pelo pacote que vem junto: a PEC fiscal de Durigan, a meta de resultado primário para 2027 e, sobretudo, se o Congresso, onde Lula não tem maioria própria, vai aprovar algo disso.

Dilma 2: a mesma data, 12 anos antes

Há uma coincidência que vale registrar. O segundo turno que reelegeu Dilma Rousseff foi em 26 de outubro de 2014, exatamente 12 anos antes do pregão de hoje. A sequência daquele ano é o melhor guia do que pode acontecer agora, inclusive no que não funcionou.

Data O que aconteceu em 2014-2015 Dólar
26/10/2014 Dilma reeleita com 51,64% contra Aécio Neves R$ 2,47
27/10/2014 Ibovespa cai 4,4%, Petrobras cai 12%. Sem circuit breaker: o mercado já estava dividido meio a meio R$ 2,52 (+2%)
14/11/2014 Operação Juízo Final, 7ª fase da Lava Jato: 21 executivos das maiores empreiteiras presos, Renato Duque detido. O Petrolão vira escândalo nacional R$ 2,59
27/11/2014 Treze dias depois, Dilma anuncia Joaquim Levy, economista de Chicago vindo do Bradesco, o “Mãos de Tesoura”. O dólar fecha em alta no dia do anúncio R$ 2,52 (+0,56%)
31/12/2014 Fim do ano, déficit primário já estourado (R$ 18,3 bi negativos de janeiro a novembro) R$ 2,66
09/09/2015 S&P tira o grau de investimento do Brasil R$ 3,80
24/09/2015 Pico do dólar no ciclo R$ 4,19
18/12/2015 Levy sai; entra Nelson Barbosa. IPCA de 2015 fecha em 10,67%, PIB cai 3,5% e cai mais 3,3% em 2016 R$ 3,90

A lição é desconfortável para quem espera que um nome resolva tudo. Levy era o ministro que o mercado pedia, e o dólar subiu 58% em nove meses mesmo assim. O ajuste fiscal foi derrotado em pedaços no Congresso, a arrecadação caiu 2,9% já no primeiro trimestre de 2015 e o investimento público foi cortado em 37%, o que aprofundou a recessão em vez de evitá-la. O escândalo da Petrobras paralisou a maior empresa do país e as construtoras ao mesmo tempo. O nome “do mercado” serviu de sinal por algumas semanas; a conta era o que mandava.

Há diferenças importantes em relação a 2026, e nem todas são a favor. Em 2014 a dívida bruta estava perto de 57% do PIB; hoje está perto de 80%. A Selic era de 11%; hoje está em 15%, o que limita o espaço do BC para socorrer a atividade. Por outro lado, o câmbio flutuante com BC autônomo e reservas de mais de US$ 340 bilhões absorve o choque em um dia, em vez de deixá-lo se arrastar por meses. E hoje não há um escândalo do tamanho do Petrolão sobre a mesa, o que explica por que parte dos analistas, como a Gavekal, já fala em oportunidade de compra para quem aguenta a volatilidade.

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O que o dólar a R$ 5,60 muda no supermercado

O brasileiro comum não compra dólar, mas paga por ele todo dia. O câmbio chega ao carrinho por três caminhos. O primeiro é o produto importado, como o remédio e o celular. O segundo é o insumo importado: o trigo que vira pão e o fertilizante que vira arroz, feijão e milho. O terceiro é o mais invisível: o produto exportável cotado em dólar, como soja, café, açúcar e carne. Quando o real cai, exportar passa a pagar mais, e o preço interno sobe para competir com o porto, mesmo que nada tenha saído do país.

O que você compra Onde está o dólar O dado
Pão, macarrão, biscoito, pizza, bolo Trigo importado O Brasil importou 6,9 milhões de toneladas em 2025, cerca de 52% do consumo, 79% vindas da Argentina. A safra de 2026 caiu 26%, e a Conab projeta importação de 7,1 milhões de toneladas em 2026/27, a maior em quase 20 anos.
Arroz, feijão, milho, soja, café, verduras Fertilizante importado Entre 80% e 85% do fertilizante usado no país vem de fora; o enxofre, quase 100%. De janeiro a julho de 2026, foram 22,4 milhões de toneladas por US$ 8,8 bilhões, com preço médio 16,8% maior que em 2025. A CNA calcula que só 40% a 45% da safra 2026/27 já estava comprada. O dólar novo entra agora no custo do plantio.
Frango, ovo, carne suína, leite Ração de milho e soja, cotadas em dólar Grão é commodity: o produtor vende para quem paga mais, e o exportador paga em dólar. A Minerva caiu 22% no pregão de hoje.
Carne bovina, café, açúcar, óleo de soja Exportáveis O preço da gôndola segue a bolsa de Chicago ou de Nova York multiplicada pelo câmbio do dia.
Gasolina, diesel, frete, passagem de ônibus Petróleo em dólar; 20% a 30% do diesel é importado Em 2025 o Brasil importou um recorde de 17,3 bilhões de litros de diesel. A Petrobras usa preço de referência próprio desde 2023, mas a Abicom mede a defasagem contra a paridade de importação, e um salto de 12% no câmbio abre essa defasagem na hora. Diesel é frete, e frete é tudo que viaja de caminhão.
Gás de cozinha Petróleo e GLP importado Mesma pressão do diesel. O botijão é o item mais sensível no orçamento de renda baixa.
Remédios Insumo farmacêutico ativo importado O país fabrica só 5% dos insumos que usa nos medicamentos; de 90% a 95% vêm da China e da Índia, segundo a Abiquifi. O reajuste anual da CMED, em março, incorpora o câmbio.
Celular, TV, notebook, geladeira, carro Chips, telas, aço, componentes Preço praticamente dolarizado. É o grupo que sobe mais rápido depois dos alimentos.
Conta de luz Itaipu e térmicas a gás importado A tarifa de Itaipu é fixada em dólar; a bandeira vermelha paga térmica que queima GNL comprado em dólar.
Roupa, tênis, material de construção Algodão, petróleo (sintéticos e PVC), aço e cobre Repasse indireto e mais lento, de três a seis meses.
Streaming, apps, viagem, iPhone Cobrança em dólar Netflix, Spotify, Apple e companhias aéreas reajustam pelo câmbio direto.

Um exemplo concreto ajuda a entender a escala. A cada R$ 1 que o dólar sobe a partir de R$ 5, o trigo que vira pão fica 20% mais caro em reais, e o fertilizante também. O pão não sobe 20%, porque o trigo é uma fração do custo da padaria, ao lado do gás, da energia e do salário. Mas sobe, e sobe com atraso de dois a seis meses, conforme o estoque antigo acaba e o contrato novo entra. O frango é parecido: a ração responde por cerca de 70% do custo do frango vivo, e a ração é milho e soja. A gasolina e o diesel são os únicos que podem subir na semana seguinte, porque a importadora privada repassa o câmbio no mesmo dia e a Petrobras precisa decidir quanto da defasagem absorve.

Quanto disso vira inflação, e quando

Economistas chamam de “repasse cambial” a parcela da alta do dólar que chega ao IPCA. O Banco Central, no Relatório de Política Monetária de março de 2026, confirma que o repasse é relevante em alimentação no domicílio e em bens industriais e próximo de zero em serviços. As estimativas de mercado para uma alta de 10% no dólar vão de 0,2 a 0,3 ponto de IPCA em 12 meses, quando a economia está ociosa, até 1,0 ponto no cenário mais pessimista. Nos alimentos o repasse é da ordem de 14% do choque, nos industriais de 8% e nos serviços de 2%.

A conta do dólar a R$ 5,60, se ele ficar aí

+12,2%

dólar em um dia (4,99 → 5,60)

+0,4 a +1,2 pp

de IPCA em 12 meses

5,6% a 6,4%

IPCA 2026 (Focus estava em 5,19%)

15%

Selic, com corte de novembro em dúvida

Ordem de chegada: alimentos em 2 a 6 meses, bens industriais em 6 a 12 meses, serviços quase nada. O Focus de hoje cedo, feito antes do choque, projetava dólar a R$ 5,05 no fim de 2026.

A inflação não é o único canal. Com o dólar mais alto e os juros longos quase dois pontos acima de sexta, o Copom de 4 de novembro, que cortaria a Selic de 15% para 13,50% segundo o Morgan Stanley, pode parar. Selic mais alta por mais tempo é cartão, cheque especial e financiamento mais caros, e é o Tesouro pagando mais pela dívida, o que piora justamente o fiscal que o mercado está cobrando. É o círculo que o Brasil viveu em 2015.

Três cenários para o dólar até dezembro

Cenário O que precisa acontecer Dólar Efeito no bolso
Alívio Nome crível anunciado em semanas, PEC fiscal com teto de 1,5% a 2% de crescimento real da despesa, Congresso sinaliza apoio, TSE encerra a contestação R$ 5,20 a R$ 5,40 Repasse parcial; alimentos sobem, mas o IPCA fica perto de 5,5%
Continuidade Durigan fica ou Fonteles assume sem pacote; arcabouço mantido como está; Selic parada em 15% R$ 5,60 a R$ 5,80 IPCA caminhando para 6%; juros altos por todo 2027
Estresse Vácuo até dezembro, briga institucional prolongada, meta fiscal flexibilizada, Galípolo deixa o BC R$ 6,00 ou mais (cenário de risco do Morgan Stanley) Repasse cheio: +1,2 pp de inflação, Selic voltando a subir

A B3 e o câmbio vão oscilar com cada boato de nome nos próximos dias. O que define o cenário não é a manchete do ministro, é o pacote fiscal que o acompanha e a capacidade de aprová-lo. Em 2014, o Brasil escolheu o nome certo e a conta errada. O mercado vai cobrar, desta vez, que a ordem seja a inversa.

Perguntas frequentes

Por que o dólar subiu para R$ 5,60?

Porque o mercado estava posicionado para a vitória de Flávio Bolsonaro e precisou desfazer essa aposta em um único pregão depois da reeleição de Lula. Somam-se o risco fiscal, com dívida perto de 80% do PIB e sem maioria própria no Congresso, e o risco institucional, já que o derrotado não reconheceu o resultado.

Haddad vai voltar ao Ministério da Fazenda?

Não há nenhuma indicação disso. Haddad deixou a Fazenda em março de 2026 e perdeu a eleição para governador de São Paulo no primeiro turno. O ministro atual é Dario Durigan, e o nome mais cotado para o novo mandato é Rafael Fonteles, governador do Piauí.

O que sobe primeiro quando o dólar dispara?

Combustíveis e produtos importados, em dias ou semanas. Depois, em dois a seis meses, os alimentos que dependem de trigo, fertilizante e ração: pão, massas, frango, ovo e carne. Por último os bens industriais, como eletrodomésticos e carros. Serviços quase não sentem.

Quanto o dólar alto aumenta a inflação?

As estimativas vão de 0,2 a 1,0 ponto de IPCA em 12 meses para cada alta de 10% no câmbio. Com o dólar subindo 12% em um dia, se o patamar se mantiver, a inflação de 2026 pode sair de 5,2% para algo entre 5,6% e 6,4%.

O que aconteceu com o dólar depois da reeleição de Dilma em 2014?

Dilma foi reeleita em 26 de outubro de 2014 com o dólar a R$ 2,47. Ela anunciou Joaquim Levy para a Fazenda um mês depois, mas o dólar fechou 2014 em R$ 2,66 e chegou a R$ 4,19 em setembro de 2015, no meio da recessão e da Operação Lava Jato. Levy deixou o cargo em dezembro de 2015.

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Leia também: Lula Day: as regras do circuit breaker e as maiores quedas da história do Ibovespa

Fontes: TSE; B3; InfoMoney e Exame (cobertura ao vivo de 26/10/2026); Money Times; Morgan Stanley, BTG Pactual, JP Morgan e Capital Economics (relatórios citados pela imprensa); O Globo (coluna Bela Megale); Poder360; Banco Central (Relatório de Política Monetária, março de 2026, e série PTAX); Conab; CNN Brasil e Canal Rural (trigo); Secex e CNA (fertilizantes); Abiquifi (insumos farmacêuticos); StoneX e Abicom (diesel); IBGE. Este texto é informativo e não é recomendação de investimento.

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