Durante anos, a discussão sobre stablecoin ficou restrita a quem já estava dentro do mercado cripto: trader, arbitrador, quem manda dinheiro para fora. Isso mudou nesta semana. A Samsung anunciou que a Samsung Wallet vai ter suporte nativo a stablecoins — e a Samsung Wallet já vem instalada em centenas de milhões de aparelhos Galaxy no mundo inteiro.

Samsung Wallet stablecoin: suporte nativo anunciado no Galaxy Unpacked 2026
Evento Samsung Unpacked. Crédito: Wikimedia Commons/CC
Resumo rápido: no Galaxy Unpacked de 22 de julho, a Samsung confirmou suporte nativo a stablecoins na Samsung Wallet, com o USDC demonstrado na interface. Na mesma semana, a Ripple lançou o Mint para instituições emitirem RLUSD e a rede Sui zerou a taxa de transferência de stablecoin. No Brasil, a Receita Federal revelou que o USDT já responde por cerca de 90% das operações com stablecoins no país.

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O que a Samsung anunciou (e o que ainda não)

No Galaxy Unpacked 2026, realizado em 22 de julho, a Samsung Electronics confirmou que vai integrar stablecoins à Samsung Wallet, ampliando a plataforma de pagamentos móveis e o programa de recompensas para incluir ativos digitais. Durante a demonstração, a interface exibida usava USDC, o que sugere que a stablecoin da Circle deve estar entre as primeiras suportadas.

Agora, o que a empresa não disse — e isso importa tanto quanto o anúncio:

  • Não há data de lançamento confirmada.
  • Não há lista definitiva de quais stablecoins serão aceitas.
  • Não há parceiros de tecnologia ou de custódia divulgados.
  • Não há confirmação sobre quais países entram primeiro — e regulação local costuma definir isso.

Ou seja: é um anúncio de direção estratégica, não um produto na sua mão amanhã. Mas a direção é o que importa. Quando uma fabricante com essa base instalada coloca dólar digital na carteira padrão do aparelho, a stablecoin deixa de ser um instrumento de nicho e passa a ser infraestrutura de pagamento de varejo.

Onde as stablecoins realmente circulam

US$ 149,2 bi

Supply na Ethereum

US$ 91,2 bi

Supply na Tron

US$ 16,2 bi

Supply na Solana

A Ethereum lidera o fornecimento total, mas a Tron domina o uso transacional de USDT em mercados emergentes — inclusive no Brasil.

Ripple lança o Mint e mira o dinheiro institucional

No dia seguinte ao anúncio da Samsung, a Ripple colocou no ar o Ripple Mint, plataforma que dá a instituições controle direto — por interface web ou por API — para emitir e resgatar RLUSD. O fluxo é o esperado: a instituição inicia a emissão, envia o fiat para a conta designada e recebe RLUSD na proporção de 1 para 1; no resgate, devolve o token e recebe o fiat na conta bancária aprovada.

A capitalização de mercado do RLUSD gravitava em torno de US$ 1,6 bilhão no lançamento. A Ripple também anunciou investimento estratégico na Notabene e integração com o Notabene Flow, para ajudar instituições a cumprir a Travel Rule e obrigações de triagem de VASPs dentro do próprio fluxo de pagamento.

Vale registrar o contraponto: o volume de transferências do RLUSD caiu cerca de 25% no período, segundo a CoinDesk. Emitir mais não é o mesmo que circular mais — e é justamente esse gargalo que o Mint tenta destravar do lado institucional.

Sui zera a taxa e a Tron promete o mesmo

A terceira peça é técnica e talvez a mais relevante para quem usa stablecoin no dia a dia: a taxa de rede.

A Sui ativou as transferências de stablecoin sem gás em nível de protocolo, com suporte de infraestrutura da Fireblocks. Na prática, o usuário envia stablecoin suportada de carteira para carteira sem pagar taxa e sem precisar manter saldo do token nativo da rede só para cobrir gás — uma das maiores fontes de atrito para quem não é técnico. São sete tokens suportados no lançamento, entre eles USDC, AUSD, FDUSD e USDY.

A Tron, que hoje carrega a maior parte do USDT transacionado em países emergentes, prometeu solução equivalente de transferência sem gás para o quarto trimestre de 2026.

“O que trava a adoção de stablecoin no varejo nunca foi a tecnologia do token. É ter que explicar para alguém que, para enviar US$ 10 em dólar digital, ela precisa antes comprar outro token que ela não conhece só para pagar a taxa.”

— O problema que Sui e Tron atacam

A comparação: quem está fazendo o quê

Player Movimento Alvo Status
Samsung Stablecoin nativa na Wallet Varejo / pagamento móvel Anunciado
Ripple Mint para emissão de RLUSD Instituições No ar
Sui Transferência sem taxa de gás Pagamentos P2P No ar
Tron Transferência sem gás Remessas / emergentes Q4 2026
Receita Federal (BR) DeCripto amplia obrigações Exchanges brasileiras Em vigor

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E no Brasil? O dólar digital já ganhou — e chama USDT

Enquanto o mercado global discute qual stablecoin vai dominar a carteira do celular, o brasileiro já decidiu na prática. Dados divulgados pela Receita Federal mostram que o USDT responde por quase 90% de todas as operações com stablecoins no país, com algo em torno de R$ 1 trilhão em transações movimentadas.

É um número que diz muito sobre como o brasileiro usa cripto: menos especulação em altcoin, mais proteção cambial. O USDT virou a forma mais simples de manter poder de compra em dólar sem abrir conta no exterior, sem IOF de cartão e sem depender do horário bancário.

O outro lado é regulatório: a nova DeCripto ampliou as obrigações de reporte das exchanges que operam no Brasil. Na prática, operação com stablecoin ficou mais rastreada — o que reforça a importância de operar em plataforma que emite comprovante, informa corretamente e mantém a titularidade validada.

O que muda para você na prática

  • Curto prazo (2026): nada muda no seu celular. O anúncio da Samsung ainda não tem data e provavelmente estreia em mercados com regulação de stablecoin já definida.
  • Médio prazo: taxa de rede tendendo a zero em Sui e Tron torna a stablecoin viável para pagamento de valor baixo — hoje inviável em redes caras.
  • No Brasil: USDT segue sendo o padrão de fato. A pergunta relevante não é “qual stablecoin usar”, é “onde converter real em dólar digital com o melhor preço e com nota”.
  • Atenção: stablecoin não é investimento, é instrumento. Ela protege do real, mas te expõe ao dólar e ao risco do emissor.

Perguntas Frequentes

Quando a Samsung Wallet vai aceitar stablecoin no Brasil?

Não há data anunciada, nem para o Brasil nem para nenhum outro mercado. A Samsung confirmou a intenção no Galaxy Unpacked de 22 de julho de 2026 e demonstrou uma interface com USDC, mas não divulgou cronograma, lista final de stablecoins nem parceiros.

Qual a diferença entre USDT, USDC e RLUSD?

As três são stablecoins lastreadas em dólar, mas com emissores diferentes: USDT é da Tether, USDC é da Circle e RLUSD é da Ripple. Mudam o perfil de reservas, a auditoria, a regulação a que o emissor responde e a liquidez. No Brasil, o USDT domina com folga por causa da liquidez em P2P e nas exchanges locais.

Transferência de stablecoin sem taxa é segura?

Na Sui, a isenção é implementada no nível do protocolo — a rede é quem absorve o custo, não um intermediário adiantando taxa por você. É seguro no sentido técnico. O que continua valendo é o básico: confira o endereço de destino e a rede correta antes de enviar, porque transação em blockchain não tem estorno.

Preciso declarar stablecoin no Brasil?

Sim. Criptoativos, incluindo stablecoins, entram nas obrigações acessórias da Receita Federal, e a DeCripto ampliou o que as exchanges precisam reportar. Operar em plataforma que emite comprovante e valida a titularidade do pagamento facilita muito na hora da declaração.

Stablecoin substitui a conta em dólar?

Para proteção cambial no dia a dia, funciona bem e é muito mais rápida de abrir e usar. Mas não tem seguro de depósito, não rende juros por si só e carrega o risco do emissor e da rede. É ferramenta de liquidez em dólar, não substituto de estrutura bancária internacional.

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