O Bitcoin perdeu o psicológico US$ 60 mil e ligou o sinal de alerta no mercado. A maior criptomoeda do mundo já acumula queda de cerca de 35% no ano e oscila perto da casa dos US$ 59 a 61 mil, num movimento que apagou trilhões em valor de mercado. Mas afinal, por que o Bitcoin está caindo — e até onde isso pode ir?

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O que aconteceu com o Bitcoin
O rompimento dos US$ 60 mil marca o menor patamar do Bitcoin desde o fim de 2024 e consolida um dos piores semestres recentes para o ativo. Desde a máxima histórica de outubro de 2025, quando o mercado cripto total valia US$ 4,3 trilhões, já evaporaram US$ 2,3 trilhões — mais da metade do valor — com a capitalização recuando para cerca de US$ 2,0 trilhões.
O tombo em números
-35%
Bitcoin no ano
US$ 6 bi
Saída de ETFs (6 sem.)
US$ 2,3 tri
Evaporados do mercado
4,2%
Inflação EUA
Os 5 motivos da queda
1. Saída de dinheiro dos ETFs. Os ETFs de Bitcoin à vista dos EUA registraram seis semanas seguidas de saídas líquidas, somando cerca de US$ 6 bilhões. Como a demanda dos ETFs virou um dos principais motores do preço, a reversão do fluxo amplifica a queda.
2. Fed mais duro. Economistas do Deutsche Bank passaram a projetar duas altas de juros em 2026, invertendo a expectativa anterior de cortes. Juros mais altos derrubam o apetite por ativos de risco como o Bitcoin.
3. Dólar na máxima de 7 meses. Um dólar forte encarece ativos cotados em dólar e puxa capital para fora de posições arriscadas.
4. A venda de Bitcoin pela Strategy. A empresa de Michael Saylor vendeu parte de suas moedas — algo que abalou o sentimento e disparou centenas de milhões em liquidações, acelerando a queda. (Entenda o caso Strategy aqui.)
5. Inflação teimosa nos EUA. O CPI de maio veio em 4,2% ao ano — bem acima da meta de 2% do Fed —, enterrando o que restava de esperança por cortes de juros em 2026.
Até onde o Bitcoin pode cair?
Os alertas se acumulam. A Watcher Guru chegou a citar 80% de chance de o BTC furar os US$ 55 mil. No Brasil, o analista Bernardo Pascowitch projeta um movimento rumo aos US$ 50 mil nas próximas semanas após o rompimento de um padrão de baixa. Tecnicamente, o preço se aproxima da média móvel de 200 semanas — referência historicamente associada a fundos de ciclo, mas cujo rompimento alimenta o temor de um novo “inverno cripto”.
No curto prazo, há um gatilho extra: US$ 11,85 bilhões em opções de cripto vencem nesta sexta-feira, com o “max pain” em torno de US$ 72 mil — bem acima do preço atual.
| Cenário | Nível citado |
|---|---|
| Suporte psicológico perdido | US$ 60 mil |
| Próximo alvo de baixa (Watcher Guru) | US$ 55 mil |
| Alvo mais profundo (Pascowitch) | US$ 50 mil |
| “Max pain” das opções de sexta | US$ 72 mil |
Inverno cripto ou oportunidade?
Aqui é onde os perfis se separam. Para o trader, o momento é de cautela e gestão de risco — não faltam quem esteja apostando na continuação da queda. Para o investidor de longo prazo, quedas como esta historicamente foram janelas de acumulação: comprar aos poucos (a famosa estratégia de DCA, preço médio) costuma ser mais inteligente do que tentar acertar o fundo exato.
“Be greedy when others are fearful.” Os ciclos do Bitcoin sempre tiveram quedas brutais antes de novas máximas — o difícil é manter a cabeça fria no meio do pânico.
— Máxima do mercado
Ninguém tem bola de cristal, e o cenário macro (Fed, dólar, inflação) realmente pesa. Mas para quem acredita na tese de longo prazo, comprar Bitcoin com desconto de 35% sobre o ano é exatamente o tipo de momento que separa quem entra no topo de quem acumula na baixa.
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Leia também: Dólar a R$ 5 — como o Bitcoin protege seu dinheiro do real fraco
Perguntas Frequentes
Por que o Bitcoin caiu abaixo de US$ 60 mil?
Pela combinação de seis semanas de saída dos ETFs (~US$ 6 bi), um Fed mais duro (com expectativa de altas de juros), dólar na máxima de 7 meses, a venda de Bitcoin pela Strategy e a inflação dos EUA em 4,2%, acima da meta.
Até quanto o Bitcoin pode cair?
Analistas citam US$ 55 mil (Watcher Guru) e até US$ 50 mil (Bernardo Pascowitch) como alvos de curto prazo. Tecnicamente, o preço se aproxima da média móvel de 200 semanas. Ninguém garante o fundo — são projeções, não certezas.
É um bom momento para comprar Bitcoin?
Depende do seu perfil e horizonte. Para o longo prazo, quedas costumam ser janelas de acumulação via DCA (preço médio). Para o curto prazo, o risco é alto. Invista apenas o que pode manter por anos e nunca além do que pode perder.
O que é “inverno cripto”?
É um período prolongado de preços baixos e baixo otimismo no mercado. O rompimento de suportes importantes, como a média de 200 semanas, costuma reacender esse temor — embora ciclos anteriores tenham terminado em novas máximas.
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